AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024
Paciente sexo masculino, 58 anos, admitido no pronto-socorro trazido pelo SAMU em protocolo de Hemorragia Digestiva Alta (HDA), com história de vômitos com sangue e fezes enegrecidas há 2 dias. Sem relato de etilismo. Diagnóstico de hepatite no passado, sem acompanhamento. À admissão, paciente sonolento, confuso, pouco colaborativo, com presença de sangue em grande quantidade em orofaringe, abertura ocular ao estímulo doloroso e localizando a dor. Abdome globoso, indolor à palpação, com macicez móvel presente à percussão e sinal do piparote positivo. Dados vitais: FC = 98 bpm, PA = 88x53 mmHg, Saturando = 97% em ar ambiente. Exames laboratoriais da admissão: Hemoglobina = 8,8 g/dl, Hematócrito = 24%, 41.000 plaquetas, RNI de 2,68, BT de 4,7 mg/dL (BD = 4,2 mg/dL), TGO 39, TGP 42, Albumina sérica de 2,2 g/dL (VR 3,5- 4,5). Em relação a este caso clínico, analise as assertivas abaixo classificando-as em Verdadeiro (V) ou Falso (F): ( ) O paciente deve ter uma via aérea definitiva assegurada de forma precoce. ( ) A endoscopia digestiva alta deve ser realizada na primeira hora da admissão, em caráter de urgência, como tratamento inicial. ( ) A presença de sangue no tubo digestivo favorece a translocação bacteriana, que pode resultar em peritonite bacteriana espontânea. ( ) Na forte suspeita de hemorragia digestiva varicosa, os vasoconstrictores esplâncnicos devem ser instituídos precocemente, antes mesmo do tratamento endoscópico. ( ) Os distúrbios de coagulação devem ser prontamente corrigidos, com a reposição de plasma fresco congelado na dose de 10 mL/kg e reposição de plaquetas visando manutenção acima de 100.000.
HDA varicosa → Via aérea (se Glasgow ↓) + Vasoconstritor precoce + ATB profilaxia.
O tratamento da HDA varicosa baseia-se no tripé: estabilização hemodinâmica (incluindo via aérea), terapia farmacológica precoce (vasoconstritores) e terapia endoscópica oportuna.
O paciente cirrótico com HDA apresenta alta complexidade devido à coagulopatia de base e risco de encefalopatia. A prioridade inicial é a proteção da via aérea, especialmente se houver hematêmese volumosa ou alteração sensorial. A terapia medicamentosa com vasoconstritores esplâncnicos (terlipressina, somatostatina ou octreotide) deve ser iniciada imediatamente na suspeita clínica, antes mesmo da confirmação endoscópica, pois melhora o campo visual para o endoscopista e reduz o sangramento ativo. A reposição volêmica deve ser parcimoniosa, visando hemoglobina entre 7-9 g/dL, para evitar o aumento da pressão portal e o ressangramento. A endoscopia deve ser realizada idealmente nas primeiras 12 a 24 horas após a estabilização hemodinâmica inicial, não sendo necessária na primeira hora se o paciente estiver sendo estabilizado clinicamente.
O sangramento digestivo em cirróticos aumenta drasticamente o risco de translocação bacteriana e infecções. A profilaxia com ceftriaxona ou norfloxacino reduz significativamente a mortalidade e o risco de peritonite bacteriana espontânea.
Ela promove vasoconstrição esplâncnica, reduzindo o fluxo sanguíneo para o sistema porta e, consequentemente, a pressão nas varizes esofágicas, facilitando o controle do sangramento e melhorando o desfecho clínico.
Indicada em pacientes com rebaixamento do nível de consciência (Glasgow < 8), hematêmese volumosa com risco iminente de aspiração ou instabilidade hemodinâmica grave que impeça a realização segura da endoscopia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo