HDA Varicosa em Cirróticos: Profilaxia de PBE Essencial

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2022

Enunciado

Homem cirrótico de 55 anos está internado na enfermaria de um hospital secundário, onde está sendo investigado e tratado para quadro de encefalopatia hepática, quando percebe-se grande quantidade de sangue enegrecido, parcialmente digerido, pegajoso e de odor fétido. Em relação ao este caso, responda a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Hematêmese (vômitos com sangue), melena (sangue digerido) e hematoquezia são formas de apresentação de hemorragia digestiva, sendo esta última exclusiva de quadros baixos, originados distalmente à papila duodenal
  2. B) Uso de vitamina K, ácido tranexâmico e lavagem gástrica são recomendadas na abordagem inicial das HDAs
  3. C) Em casos de sangramento profuso, com instabilidade hemodinâmica, o balão de Sengstaken-Blakemore é uma ferramenta que pode ser utilizada, independentemente da etiologia
  4. D) Na hemorragia varicosa, é necessário administração de antibiótico profilaxia para PBE mesmo em pacientes sem ascite

Pérola Clínica

HDA varicosa em cirrótico → profilaxia ATB para PBE, mesmo sem ascite.

Resumo-Chave

Pacientes cirróticos com hemorragia digestiva varicosa têm alto risco de infecções bacterianas, especialmente peritonite bacteriana espontânea (PBE), que piora o prognóstico. A profilaxia antibiótica é uma medida crucial e deve ser iniciada precocemente, independentemente da presença de ascite.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma complicação grave da cirrose hepática, frequentemente decorrente da ruptura de varizes esofágicas ou gástricas. A apresentação clínica clássica inclui hematêmese e melena, como descrito no caso. Pacientes cirróticos com HDA apresentam alta morbimortalidade devido à instabilidade hemodinâmica e ao risco aumentado de infecções, encefalopatia hepática e falência hepática. O manejo inicial da HDA em cirróticos envolve a estabilização hemodinâmica com fluidos e hemoderivados, uso de drogas vasoativas (terlipressina ou octreotide) para reduzir o fluxo portal e, crucialmente, a antibioticoprofilaxia. A profilaxia antibiótica é indicada para todos os pacientes cirróticos com HDA, independentemente da presença de ascite, devido ao elevado risco de infecções bacterianas, especialmente peritonite bacteriana espontânea (PBE), que pode precipitar a falência hepática e aumentar a mortalidade. A endoscopia digestiva alta deve ser realizada precocemente para diagnóstico e tratamento (ligadura elástica ou escleroterapia). O balão de Sengstaken-Blakemore é uma medida temporária de resgate em sangramentos maciços refratários, enquanto outras opções terapêuticas são preparadas. A vitamina K e o ácido tranexâmico não são rotineiramente recomendados na HDA varicosa, a menos que haja coagulopatia específica ou sangramento não varicoso.

Perguntas Frequentes

Quais são as formas de apresentação da hemorragia digestiva?

A hemorragia digestiva pode se apresentar como hematêmese (vômitos com sangue), melena (fezes escuras, pegajosas e fétidas, indicando sangue digerido) e hematoquezia (sangue vivo nas fezes, geralmente de origem baixa, mas pode ocorrer em sangramentos altos maciços).

Por que a antibioticoprofilaxia é importante na HDA varicosa em cirróticos?

Pacientes cirróticos com HDA varicosa têm maior risco de translocação bacteriana e infecções, como a PBE, que aumentam a mortalidade e o risco de ressangramento. A profilaxia antibiótica reduz esse risco e melhora o prognóstico.

Quais medicamentos são recomendados na abordagem inicial da HDA varicosa?

Além da estabilização hemodinâmica, são recomendados vasoconstritores esplâncnicos (terlipressina ou octreotide) para reduzir o fluxo portal e antibioticoprofilaxia. A endoscopia digestiva alta é essencial para diagnóstico e tratamento definitivo.

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