AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2022
Paciente sexo feminino, 68 anos, admitida no PS trazida pelo SAMU em protocolo de hemorragia digestiva, apresentando história de vômitos com sangue e fezes enegrecidas há 2 dias. Sem relato de etilismo. História conhecida de Diabetes Mellitus com tratamento irregular. À admissão, paciente sonolenta, confusa, pouco colaborativa, com presença de sangue em grande quantidade em orofaringe, abertura ocular ao estímulo doloroso e localizando a dor. Abdome globoso, indolor à palpação, com macicez móvel presente à percussão, e sinal do piparote positivo. Sinais vitais: FC: 98bpm, PA: 90x56 mmHg, Sat.O2: 97% em ar ambiente. Exames laboratoriais da admissão: hemoglobina 8,5g/dl, hematócrito 21%, 41.000 plaquetas, RNI de 2,48, BT de 3,7mg/dL (BD 3,2mg/dL), TGO 39, TGP 42, albumina sérica de 2,2 g/dL. Em relação a esta patologia, analise as assertivas abaixo classificando-as em verdadeiro (V) ou falso (F).( ) A presença de sangue na orofaringe é o principal indicativo para o estabelecimento de uma via aérea definitiva. ( ) Os sinais vitais indicam para instabilidade hemodinâmica que deve ser tratada com reposição volêmica com cristaloide até a normalização da PA. ( ) A ausência de história de etilismo descarta a origem varicosa desta hemorragia digestiva.( ) Os vasoconstrictores esplâncnicos devem ser instituídos precocemente para esta paciente, antes mesmo do tratamento endoscópico.( ) A antibioticoterapia deve ser realizada com o intuito de prevenir peritonite bacteriana espontânea.
HDA varicosa: iniciar vasoconstritor esplâncnico e ATB profilático precocemente, antes da endoscopia.
Pacientes com hemorragia digestiva alta e sinais de doença hepática crônica descompensada (ascite, coagulopatia) devem ser tratados como sangramento varicoso até prova em contrário. A estabilização hemodinâmica é crucial, mas a reposição volêmica deve ser cautelosa para evitar aumento da pressão portal.
A hemorragia digestiva alta (HDA) varicosa é uma complicação grave da hipertensão portal, frequentemente associada à cirrose hepática. Representa uma emergência médica com alta mortalidade, exigindo reconhecimento e manejo rápidos. A etiologia da cirrose pode ser variada, incluindo hepatites virais, doença hepática gordurosa não alcoólica (NASH) e etilismo, sendo crucial não descartar a origem varicosa pela ausência de história alcoólica. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com HDA e estigmas de doença hepática crônica, como ascite, icterícia, coagulopatia e encefalopatia. A estabilização hemodinâmica é a prioridade inicial, com reposição volêmica cautelosa para evitar sobrecarga e aumento da pressão portal, o que poderia piorar o sangramento. A proteção da via aérea é fundamental em pacientes com alteração do nível de consciência ou sangramento ativo na orofaringe para prevenir aspiração. O tratamento inclui a instituição precoce de vasoconstritores esplâncnicos (terlipressina ou octreotida) para reduzir o fluxo portal, e antibioticoterapia profilática para prevenir infecções bacterianas, como a peritonite bacteriana espontânea. A endoscopia digestiva alta deve ser realizada o mais rápido possível para confirmar o diagnóstico e realizar o tratamento endoscópico (ligadura elástica ou escleroterapia).
Sinais incluem ascite (macicez móvel, piparote positivo), coagulopatia (INR elevado, plaquetopenia), encefalopatia (sonolência, confusão) e icterícia (bilirrubina elevada).
Medicamentos como terlipressina ou octreotida reduzem o fluxo sanguíneo portal e a pressão nas varizes, diminuindo o sangramento e devem ser iniciados precocemente, antes da endoscopia.
Pacientes com sangramento varicoso têm alto risco de infecções bacterianas, especialmente peritonite bacteriana espontânea (PBE), e a profilaxia com antibióticos reduz a morbimortalidade.
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