Manejo Inicial da Hemorragia Digestiva Alta Varicosa

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026

Enunciado

Um paciente de 59 anos de idade, cirrótico Child-Pugh B por hepatite alcoólica, apresentou hematêmese volumosa há uma hora. Ao exame, mostrou FC = 115 bpm, FR = 20 irpm e saturação 94%. Encontra-se afebril, com abdome flácido e sem ascite volumosa. Suspeita-se de sangramento varicoso. Considerando esse caso clínico, assinale a alternativa que corresponde à conduta inicial correta a ser adotada pelo profissional:

Alternativas

  1. A) Administrar eritromicina intravenosa como primeira medida terapêutica.
  2. B) Iniciar omeprazol em alta dose como intervenção principal.
  3. C) Realizar reposição volêmica prudente associada à infusão de octreotida e antibioticoprofilaxia.
  4. D) Indicar TIPS como primeira abordagem terapêutica.

Pérola Clínica

HDA Varicosa → Estabilização hemodinâmica + Droga esplâncnica (Octreotida) + Antibiótico (Ceftriaxona).

Resumo-Chave

O manejo inicial da HDA varicosa foca na estabilização hemodinâmica sem hiper-hidratação (risco de rebote pressórico portal) e prevenção de complicações infecciosas.

Contexto Educacional

O manejo da hemorragia digestiva alta (HDA) varicosa no paciente cirrótico é uma emergência médica que exige uma abordagem multifatorial. A tríade terapêutica consiste em: 1) Estabilização hemodinâmica restritiva; 2) Terapia farmacológica com vasoconstritores esplâncnicos (Octreotida ou Terlipressina); e 3) Antibioticoprofilaxia precoce. A endoscopia digestiva alta (EDA) deve ser realizada após a estabilização inicial, preferencialmente nas primeiras 12 horas, para diagnóstico e tratamento local (ligadura elástica ou escleroterapia). O uso de eritromicina IV antes da EDA pode ser considerado para esvaziamento gástrico e melhor visualização, mas não substitui as medidas de estabilização. O TIPS (Shunt Portossistêmico Intra-hepático Transjugular) é reservado para casos de sangramento refratário ou como terapia de resgate, não sendo a conduta inicial.

Perguntas Frequentes

Por que a reposição volêmica deve ser prudente na HDA varicosa?

Em pacientes cirróticos com sangramento varicoso, a reposição volêmica excessiva aumenta a pressão hidrostática no sistema porta. Isso pode levar ao rompimento de coágulos recém-formados ou ao aumento da tensão na parede das varizes, provocando ressangramento. O objetivo deve ser manter a estabilidade hemodinâmica (PAM > 65 mmHg) e uma hemoglobina alvo entre 7 e 8 g/dL, evitando a sobrecarga de volume.

Qual o papel da antibioticoprofilaxia na HDA em cirróticos?

A antibioticoprofilaxia é mandatória em todo cirrótico com HDA, independentemente da presença de ascite. Ela reduz significativamente a incidência de infecções bacterianas (como PBE), o risco de ressangramento precoce e a mortalidade hospitalar. O esquema preferencial é a Ceftriaxona 1g/dia IV, especialmente em pacientes com cirrose avançada (Child B ou C).

Quando utilizar drogas vasoativas como a octreotida?

Drogas vasoativas (Octreotida, Terlipressina ou Somatostatina) devem ser iniciadas o mais precocemente possível, idealmente ainda na suspeita clínica de sangramento varicoso, antes mesmo da endoscopia. Elas promovem vasoconstrição esplâncnica, reduzindo o fluxo sanguíneo portal e a pressão nas varizes, o que facilita o controle do sangramento e melhora a visualização durante o exame endoscópico.

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