Hematêmese Varicosa: Manejo Inicial do Choque Hipovolêmico

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente com histórico de hepatopatia crônica avançada por hemocromatose dá entrada no Prontosocorro devido a episódio de hematêmese volumosa. Apresenta os seguintes sinais vitais: PA: 70 x 50 mmHg, FC: 95 bpm, FR: 26 irpm. Qual a medida mais importante nesse momento?

Alternativas

  1. A) Fazer uma EDA imediatamente é a conduta ideal;
  2. B) Administrar omeprazol em bolus é fundamental, considerando que o sangramento possa ser decorrente de doença ulcerosa péptica;
  3. C) Puncionar acesso venoso e infundir cristaloide;
  4. D) Administrar 1 concentrado de hemácias é a prioridade inicial

Pérola Clínica

Hematêmese volumosa em hepatopata com choque → prioridade é estabilização hemodinâmica com acesso venoso e fluidos.

Resumo-Chave

O paciente apresenta hematêmese volumosa e sinais de choque hipovolêmico (PA 70x50 mmHg, FC 95 bpm, FR 26 irpm). A prioridade absoluta é a estabilização hemodinâmica, que começa com a obtenção de acessos venosos calibrosos e a reposição volêmica agressiva com cristaloides, antes de qualquer medida diagnóstica ou terapêutica específica para a causa do sangramento.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) em pacientes com hepatopatia crônica avançada, como a cirrose por hemocromatose, é frequentemente causada por varizes esofágicas ou gástricas e representa uma emergência médica grave com alta mortalidade. A hematêmese volumosa, como descrito no caso, indica um sangramento ativo e significativo, que rapidamente pode levar ao choque hipovolêmico. O paciente apresenta sinais clássicos de choque hipovolêmico: hipotensão (PA 70x50 mmHg), taquicardia (FC 95 bpm, que pode ser subestimada em pacientes com hepatopatia e uso de betabloqueadores), e taquipneia (FR 26 irpm). Diante dessa situação de instabilidade hemodinâmica, a medida mais importante e imediata é a estabilização do paciente. A estabilização hemodinâmica começa com a garantia de acessos venosos calibrosos (pelo menos dois) para permitir a rápida infusão de fluidos. A reposição volêmica inicial deve ser feita com cristaloides (ex: soro fisiológico 0,9%), visando restaurar o volume intravascular e a perfusão tecidual. Somente após a estabilização inicial, outras medidas como a endoscopia digestiva alta (EDA) para diagnóstico e tratamento do sangramento, e a transfusão de concentrado de hemácias (se houver anemia significativa e instabilidade persistente), devem ser consideradas. Priorizar a EDA ou a transfusão antes da reposição volêmica adequada pode ser fatal.

Perguntas Frequentes

Qual a prioridade no manejo inicial de um paciente com hematêmese volumosa e choque?

A prioridade absoluta é a estabilização hemodinâmica do paciente, que inclui a obtenção de dois acessos venosos periféricos calibrosos e o início imediato da reposição volêmica com cristaloides, como soro fisiológico 0,9%.

Por que a reposição volêmica com cristaloides é preferível à transfusão de hemácias inicialmente?

A reposição com cristaloides é a medida inicial para restaurar o volume intravascular rapidamente e combater o choque, enquanto a transfusão de hemácias é indicada para corrigir a anemia e deve ser guiada por metas de hemoglobina, sendo geralmente iniciada após a estabilização inicial do paciente.

Quais são os sinais de choque hipovolêmico em um paciente com hemorragia digestiva?

Os sinais de choque hipovolêmico incluem hipotensão (PA < 90/60 mmHg), taquicardia, taquipneia, alteração do nível de consciência, palidez, extremidades frias e tempo de enchimento capilar prolongado, indicando perfusão tecidual inadequada.

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