PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020
João Augusto, 48 anos, portador de cirrose alcóolica, com 8 meses de abstinência, procura consulta médica por apresentar aumento progressivo do volume abdominal na última semana. Em seu exame físico, apresenta pressão arterial de 100x60mmHg, FC: 88bpm FR:21ipm, abdome globoso, de grande volume com sinal do piparote positivo. Ausência de flapping e seus exames laboratoriais revelam: Albumina: 2,7g/dL, Bilirrubina Total 3,8mg/dL (3,5 de Bilirrubina Direta) e RNI de 2,2. Hemograma: Hemoglobina: 9,2g/dL, Leucócitos de 8254/mm³, Plaquetas: 82000/mm³. Uma semana após empregadas as medidas definidas na questão anterior, o paciente João Augusto retorna ao pronto atendimento com queixa de vômito com sangue. Ao exame físico, apresenta-se estável hemodinamicamente. Sobre o manejo da hemorragia digestiva alta varicosa, assinale a alternativa CORRETA.
HDAV: Profilaxia antibiótica é essencial por 7 dias para reduzir infecções e mortalidade.
A profilaxia antibiótica é um pilar fundamental no manejo da hemorragia digestiva alta varicosa (HDAV) em pacientes cirróticos. Ela deve ser iniciada precocemente e mantida por até 7 dias, pois reduz significativamente o risco de infecções bacterianas (como peritonite bacteriana espontânea) e melhora a sobrevida.
A hemorragia digestiva alta varicosa (HDAV) é uma complicação grave e potencialmente fatal da cirrose hepática, com alta morbimortalidade. O manejo inicial visa a estabilização hemodinâmica, controle do sangramento e prevenção de complicações. A rápida intervenção é fundamental para o prognóstico do paciente. O manejo inicial da HDAV inclui a estabilização hemodinâmica com fluidos (cristaloides, não coloides de amido devido a riscos renais) e, se necessário, transfusão de hemácias para manter a hemoglobina entre 7-8 g/dL. Vasoconstritores esplâncnicos, como octreotide ou terlipressina, devem ser iniciados o mais rápido possível, mesmo antes da endoscopia, para reduzir a pressão portal e o sangramento. A endoscopia digestiva alta deve ser realizada em até 12 horas após a estabilização hemodinâmica para confirmar o diagnóstico e realizar o tratamento endoscópico (ligadura elástica ou escleroterapia). A profilaxia antibiótica é um pilar essencial do tratamento, devendo ser iniciada precocemente e mantida por até 7 dias, pois pacientes cirróticos com HDAV têm alto risco de infecções bacterianas, que aumentam o risco de ressangramento e mortalidade. Betabloqueadores não seletivos são indicados para profilaxia secundária de ressangramento, mas não devem ser iniciados na fase aguda da hemorragia, pois podem piorar a instabilidade hemodinâmica.
A profilaxia antibiótica é crucial na HDAV em cirróticos, pois esses pacientes têm alto risco de infecções bacterianas, como peritonite bacteriana espontânea. A antibioticoterapia reduz a incidência de infecções, ressangramento e mortalidade.
O octreotide, ou outros análogos da somatostatina, deve ser iniciado o mais precocemente possível, preferencialmente antes da endoscopia, pois ajuda a reduzir o fluxo sanguíneo esplâncnico e a pressão portal, auxiliando no controle do sangramento.
A endoscopia digestiva alta deve ser realizada precocemente, idealmente dentro de 12 horas após a apresentação, uma vez que o paciente esteja hemodinamicamente estável, para confirmar a fonte do sangramento e realizar o tratamento endoscópico.
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