Hemorragia Digestiva Alta: Risco de Ressangramento e Manejo

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Acerca da hemorragia digestiva alta por úlcera péptica, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A maior parte das úlceras gástricas situa-se junto ao fundo gástrico. 
  2. B) A endoscopia digestiva alta não permite a identificação do local de sangramento, principalmente quando há múltiplas úlceras. 
  3. C) A presença de sangramento em jato sugere maior probabilidade de ressangramento, mesmo que a terapêutica inicial tenha sido efetiva. 
  4. D) A presença de vaso visível está associada a um índice de ressangramento de 80%. 
  5. E) A terapêutica endoscópica combinada com o uso de inibidores de bomba de prótons, associado à segunda endoscopia, não diminui as taxas de ressangramento.

Pérola Clínica

HDA: Sangramento em jato (Forrest Ia) → maior risco de ressangramento, mesmo com tratamento inicial.

Resumo-Chave

A classificação de Forrest estratifica o risco de ressangramento em úlceras pépticas. Sangramento em jato (Forrest Ia) indica sangramento ativo e é o fator de maior risco para ressangramento, exigindo intervenção endoscópica imediata e agressiva, além de terapia com IBP de alta dose.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) por úlcera péptica é uma emergência médica comum, com morbimortalidade significativa. O diagnóstico e manejo adequados são cruciais para o prognóstico do paciente. A úlcera péptica, seja gástrica ou duodenal, é a causa mais frequente de HDA, e sua localização mais comum é na pequena curvatura gástrica e no bulbo duodenal, respectivamente. A endoscopia digestiva alta (EDA) é o método diagnóstico e terapêutico de escolha, permitindo a identificação do local do sangramento e a aplicação de métodos hemostáticos. A classificação de Forrest é uma ferramenta prognóstica essencial, que descreve as características endoscópicas da úlcera e estratifica o risco de ressangramento. Sangramento em jato (Forrest Ia) e sangramento em babação (Forrest Ib) são as lesões de maior risco, seguidas pelo vaso visível não sangrante (Forrest IIa). A terapêutica endoscópica, que pode incluir injeção de substâncias (adrenalina), métodos térmicos (eletrocoagulação) ou mecânicos (clipes), é combinada com o uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) em altas doses. Essa abordagem combinada demonstrou reduzir significativamente as taxas de ressangramento, a necessidade de cirurgia e a mortalidade. O acompanhamento rigoroso e a identificação de fatores de risco são essenciais para otimizar o tratamento e prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para ressangramento em úlcera péptica?

Os principais fatores de risco para ressangramento são as características endoscópicas da úlcera, classificadas pela escala de Forrest, como sangramento ativo (em jato ou babação), vaso visível não sangrante, e coágulo aderido. Fatores clínicos como idade avançada, comorbidades e uso de antiagregantes/anticoagulantes também aumentam o risco.

Como a classificação de Forrest auxilia na conduta da HDA?

A classificação de Forrest categoriza as úlceras em relação ao risco de ressangramento, guiando a necessidade e o tipo de intervenção endoscópica. Lesões de alto risco (Forrest Ia, Ib, IIa) requerem terapia endoscópica, enquanto as de baixo risco (Forrest IIc, III) geralmente não.

Qual o papel dos inibidores de bomba de prótons (IBP) no manejo da HDA por úlcera péptica?

Os IBPs são fundamentais para o manejo da HDA, pois promovem a cicatrização da úlcera e reduzem o risco de ressangramento ao manter o pH gástrico elevado, otimizando a coagulação e a estabilidade do coágulo. São utilizados em altas doses, geralmente por via intravenosa, após a terapia endoscópica.

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