Hemorragia Digestiva Alta em Lactentes: Causas e Manejo

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 4 meses de idade, em lista de transplante hepático em virtude de insuficiência hepática crônica, secundária a atresia de vias biliares, é admitido em UTI após episodio de hematêmese volumosa, evoluindo com quadro de choque hemorrágico. Em relação ao quadro clínico apresentado, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Somente pode diagnosticar a presença de choque hemorrágico se, em virtude de um sangramento, o paciente evoluir com hipotensão arterial, marcada por PA sistólica abaixo do percentil 5 para estatura e idade.
  2. B) A somatostatina é uma medicação vasoativa que age como vasoconstritor da circulação esplâncnica, uma medicação não é útil nesse caso.
  3. C) Um vez estável e com condições de transporte, o paciente deve ser encaminhado para serviço de endoscopia para realização de endoscopia digestiva alta dentro de um período de 36 horas do sangramento.
  4. D) A causa mais provável para a hemorragia digestiva alta apresentada pelo paciente é de sangramento varicoso esôfago gástrico.

Pérola Clínica

Lactente com atresia de vias biliares e hematêmese volumosa → sangramento varicoso esofágico/gástrico por hipertensão portal.

Resumo-Chave

A atresia de vias biliares leva à cirrose biliar e hipertensão portal, uma complicação grave que causa varizes esofágicas e gástricas. O sangramento dessas varizes é a causa mais comum de hemorragia digestiva alta em pacientes pediátricos com doença hepática crônica.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta em lactentes, especialmente naqueles com doença hepática crônica como a atresia de vias biliares, é uma emergência médica grave. A atresia de vias biliares é uma condição congênita rara em que os ductos biliares dentro ou fora do fígado não se desenvolvem normalmente, levando à colestase, cirrose biliar e, consequentemente, hipertensão portal. Esta hipertensão causa a formação de varizes esofágicas e gástricas, que são friáveis e propensas a sangramentos volumosos. O diagnóstico de sangramento varicoso deve ser fortemente suspeitado em pacientes com história de doença hepática e episódios de hematêmese ou melena. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica do paciente, que pode estar em choque hemorrágico. Isso inclui reposição volêmica agressiva com cristaloides e hemoderivados, além de medidas para controlar o sangramento, como o uso de octreotide. A endoscopia digestiva alta é essencial para confirmar o diagnóstico e realizar o tratamento endoscópico, como ligadura elástica ou escleroterapia. É crucial que residentes reconheçam rapidamente os sinais de choque em pediatria e a etiologia provável da hemorragia em pacientes com doença hepática. A abordagem multidisciplinar, envolvendo gastroenterologistas pediátricos, intensivistas e cirurgiões, é fundamental para otimizar o prognóstico desses pacientes, que frequentemente já estão em lista de transplante hepático.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hemorrágico em um lactente?

Em lactentes, os sinais de choque hemorrágico incluem taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), extremidades frias, diminuição do nível de consciência e hipotensão arterial (sinal tardio e grave).

Por que a atresia de vias biliares causa hemorragia digestiva alta?

A atresia de vias biliares leva à cirrose biliar e hipertensão portal, que resulta na formação de varizes esofágicas e gástricas. O sangramento dessas varizes é a principal causa de hemorragia digestiva alta nesses pacientes.

Qual a conduta inicial para hematêmese volumosa em lactente com insuficiência hepática?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica com fluidos e hemoderivados, proteção de via aérea se necessário, e uso de drogas vasoativas como octreotide. A endoscopia digestiva alta deve ser realizada após estabilização para diagnóstico e tratamento das varizes.

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