Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2021
Paciente de 4 meses de idade, em lista de transplante hepático em virtude de insuficiência hepática crônica, secundária a atresia de vias biliares, é admitido em UTI após episodio de hematêmese volumosa, evoluindo com quadro de choque hemorrágico. Em relação ao quadro clínico apresentado, assinale a alternativa correta.
Lactente com atresia de vias biliares e hematêmese volumosa → sangramento varicoso esofágico/gástrico por hipertensão portal.
A atresia de vias biliares leva à cirrose biliar e hipertensão portal, uma complicação grave que causa varizes esofágicas e gástricas. O sangramento dessas varizes é a causa mais comum de hemorragia digestiva alta em pacientes pediátricos com doença hepática crônica.
A hemorragia digestiva alta em lactentes, especialmente naqueles com doença hepática crônica como a atresia de vias biliares, é uma emergência médica grave. A atresia de vias biliares é uma condição congênita rara em que os ductos biliares dentro ou fora do fígado não se desenvolvem normalmente, levando à colestase, cirrose biliar e, consequentemente, hipertensão portal. Esta hipertensão causa a formação de varizes esofágicas e gástricas, que são friáveis e propensas a sangramentos volumosos. O diagnóstico de sangramento varicoso deve ser fortemente suspeitado em pacientes com história de doença hepática e episódios de hematêmese ou melena. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica do paciente, que pode estar em choque hemorrágico. Isso inclui reposição volêmica agressiva com cristaloides e hemoderivados, além de medidas para controlar o sangramento, como o uso de octreotide. A endoscopia digestiva alta é essencial para confirmar o diagnóstico e realizar o tratamento endoscópico, como ligadura elástica ou escleroterapia. É crucial que residentes reconheçam rapidamente os sinais de choque em pediatria e a etiologia provável da hemorragia em pacientes com doença hepática. A abordagem multidisciplinar, envolvendo gastroenterologistas pediátricos, intensivistas e cirurgiões, é fundamental para otimizar o prognóstico desses pacientes, que frequentemente já estão em lista de transplante hepático.
Em lactentes, os sinais de choque hemorrágico incluem taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), extremidades frias, diminuição do nível de consciência e hipotensão arterial (sinal tardio e grave).
A atresia de vias biliares leva à cirrose biliar e hipertensão portal, que resulta na formação de varizes esofágicas e gástricas. O sangramento dessas varizes é a principal causa de hemorragia digestiva alta nesses pacientes.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica com fluidos e hemoderivados, proteção de via aérea se necessário, e uso de drogas vasoativas como octreotide. A endoscopia digestiva alta deve ser realizada após estabilização para diagnóstico e tratamento das varizes.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo