SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Qual das situações clínicas abaixo NÃO é uma causa de hemorragia digestiva alta em criança?
Tiflite = inflamação do ceco (HDB); Mallory-Weiss e Esofagite = HDA.
A diferenciação entre HDA e HDB baseia-se na localização anatômica em relação ao ângulo de Treitz; a tiflite acomete o ceco, sendo causa de hemorragia digestiva baixa.
A abordagem da hemorragia digestiva na infância exige uma anamnese detalhada para distinguir hematêmese de hemoptise ou sangue deglutido (como em epistaxes). A localização do sangramento orienta a propedêutica, sendo a endoscopia digestiva alta o padrão-ouro para diagnóstico e tratamento das lesões proximais ao ligamento de Treitz. Enquanto a HDA se manifesta frequentemente com hematêmese ou melena, a HDB (como na tiflite ou divertículo de Meckel) apresenta-se com hematoquezia ou enterorragia. O reconhecimento da tiflite é vital em pacientes oncológicos, pois requer manejo clínico agressivo com antibióticos de amplo espectro e repouso intestinal, diferindo totalmente do manejo de uma úlcera gástrica ou Mallory-Weiss.
A tiflite, ou enterocolite neutropênica, é uma inflamação grave que ocorre tipicamente no ceco (intestino grosso) de pacientes imunossuprimidos ou neutropênicos, como aqueles em quimioterapia. Como sua localização é distal ao ângulo de Treitz, ela se manifesta como hemorragia digestiva baixa (HDB), dor em quadrante inferior direito e febre. Portanto, não é classificada como hemorragia digestiva alta, que por definição ocorre proximal ao ligamento de Treitz.
Em crianças maiores e adolescentes, as causas comuns incluem a Síndrome de Mallory-Weiss (lacerações na junção esofagogástrica após vômitos vigorosos), esofagites (péptica ou eosinofílica), gastrites erosivas e, menos frequentemente, varizes esofágicas decorrentes de hipertensão portal. O linfoma MALT e telangiectasias são causas raras, mas possíveis, de sangramento na mucosa gástrica ou esofágica nesta faixa etária.
A ingestão de substâncias cáusticas (ácidos ou álcalis fortes) causa necrose de liquefação ou coagulação da mucosa esofágica e gástrica. Isso resulta em ulcerações profundas, descamação da mucosa e risco imediato de perfuração e hemorragia digestiva alta grave. O manejo inicial foca na estabilização das vias aéreas e avaliação endoscópica cuidadosa para graduar a lesão e determinar o risco de estenoses tardias.
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