FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Sexo masculino, 16 anos, sem comorbidades, faz uso inadvertido de diclofenaco sódico devido a dores musculares frequentes após treinos em academia. Dá entrada na emergência cirúrgica devido à queda no banheiro há 12 horas, apresentando sinais de traumatismo cranioencefálico leve. Está consciente e orientado, tem pequeno ferimento corto-contuso em supercílio direito, sem necessidade de sutura, pálido 2+/4+. Sinais vitais: PA = 80x40 mmHg, FC = 130 bpm. O abdome é flácido, indolor a palpação. Toque retal é positivo para melena. Diante do provável diagnóstico e considerando os índices de estratificação de risco, assinale a alternativa correta:
Shock Index (FC/PAS) > 0,9 ou Glasgow-Blatchford ≥ 7 → HDA de alto risco com necessidade de intervenção urgente.
O Shock Index avalia a gravidade hemodinâmica imediata, enquanto o Glasgow-Blatchford estratifica a necessidade de intervenção hospitalar e endoscópica na HDA.
A Hemorragia Digestiva Alta (HDA) é uma emergência médica comum, frequentemente associada ao uso de Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINEs), como o diclofenaco, que inibem a COX-1 e reduzem a proteção da mucosa gástrica. A estratificação de risco é fundamental para determinar o local de cuidado (enfermaria vs. UTI) e o tempo para a endoscopia. O Shock Index é uma ferramenta simples à beira-leito para detectar choque oculto. O escore de Glasgow-Blatchford é superior a outros escores na identificação de pacientes que necessitam de intervenção hospitalar. Em pacientes jovens com sangramento agudo e instabilidade, a úlcera péptica induzida por AINE é a principal hipótese diagnóstica.
O Shock Index (SI) é calculado pela razão entre a Frequência Cardíaca (FC) e a Pressão Arterial Sistólica (PAS). No caso clínico, 130/80 resulta em 1,625. Valores de SI acima de 0,9 indicam instabilidade hemodinâmica significativa e maior risco de mortalidade, auxiliando na triagem rápida de pacientes que necessitam de ressuscitação volêmica agressiva e monitorização em unidade de terapia intensiva antes de procedimentos diagnósticos invasivos.
O GBS é uma ferramenta de estratificação de risco pré-endoscópica que utiliza dados laboratoriais (ureia, hemoglobina) e clínicos (pressão arterial, frequência cardíaca, presença de melena ou síncope, doença hepática ou cardíaca). Diferente do escore de Rockall, o GBS não depende de achados endoscópicos. Um escore ≥ 7 é frequentemente utilizado como ponto de corte para identificar pacientes de alto risco que necessitam de intervenção urgente (transfusão, endoscopia ou cirurgia).
A prioridade absoluta é a estabilização hemodinâmica (ressuscitação volêmica com cristaloides e, se necessário, hemotransfusão). Somente após a estabilização, o paciente deve ser submetido à Endoscopia Digestiva Alta (EDA). No cenário de HDA por AINEs, a EDA tem papel diagnóstico e terapêutico (hemostasia), devendo ser realizada precocemente (nas primeiras 24 horas) em pacientes de alto risco, mas nunca em vigência de choque não compensado.
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