INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um homem com 45 anos, em uso de anti-inflamatório não hormonal há 20 dias devido a tendinite de ombro esquerdo, chega ao pronto-socorro com quadro de melena há 24 horas, de moderado volume, associado a epigastralgia intensa e mal-estar. Nega doenças preexistentes. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, consciente, orientado, com mucosas anictéricas, hidratadas e hipocoradas (+1/+4), fácies atípica, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, frequência cardíaca de 90 batimentos por minuto, pressão arterial de 120 × 80 mmHg, abdome flácido, com ruídos hidroaéreos aumentados, dor à palpação de epigástrio. Os resultados de seus exames complementares apresentaram: hemácias: 4.500.000; hemoglobina: 13%; hematócrito: 39%; leucócitos: 4.400; plaquetas: 220.000; INR: 1,2 (valor de referência [VR]: 1-1,4); ureia: 45 mg/dl (VR: 16-40), creatina: 1,2 mg/dL (VR: 0,7-1,3); Potássio: 5,4 mEq/L (VR: 3,5-5,5); tipagem sanguínea: A+, endoscopia digestiva alta com erosões agudas de mucosa gástrica em região de antro e bulbo.A conduta inicial mais adequada ao caso seria dieta zero e
HDA por AINE: reposição volêmica com cristaloides + IBP IV em bolus, seguido de infusão contínua.
Paciente com HDA por AINE e sinais de sangramento ativo (melena, dor epigástrica, hipocorado) necessita de estabilização hemodinâmica com cristaloides e supressão ácida potente com IBP para reduzir o risco de ressangramento antes da endoscopia.
A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma emergência médica comum, frequentemente causada por úlceras pépticas (gástricas ou duodenais), varizes esofágicas ou esofagite. O uso de anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) é um fator de risco significativo para úlceras pépticas e suas complicações hemorrágicas, devido à inibição da síntese de prostaglandinas protetoras da mucosa gástrica. O diagnóstico de HDA é suspeitado por melena, hematêmese ou enterorragia, acompanhado de sinais de hipovolemia. A avaliação inicial foca na estabilização hemodinâmica, com acesso venoso calibroso e reposição volêmica agressiva com cristaloides. Exames laboratoriais como hemograma, coagulograma, função renal e tipagem sanguínea são essenciais. A conduta inicial mais adequada inclui dieta zero, reposição volêmica com cristaloides para restaurar a perfusão tecidual e o uso de inibidores da bomba protônica (IBP) intravenosos em bolus, seguidos de infusão contínua, para reduzir a acidez gástrica e promover a cicatrização da úlcera, diminuindo o risco de ressangramento. A endoscopia digestiva alta deve ser realizada precocemente (em até 24 horas) para identificar a fonte do sangramento e realizar hemostasia.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica com reposição volêmica com cristaloides e início de inibidores da bomba protônica (IBP) intravenosos para suprimir a acidez gástrica.
Os AINEs inibem a ciclooxigenase (COX), reduzindo a produção de prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica, levando a erosões, úlceras e risco de sangramento.
A transfusão de hemácias é geralmente indicada quando a hemoglobina é < 7 g/dL, ou < 9 g/dL em pacientes com comorbidades cardiovasculares, ou em caso de instabilidade hemodinâmica persistente.
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