Hemorragia Digestiva Alta: Manejo Inicial e Conduta

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2025

Enunciado

Paciente 42 anos, sexo masculino, relata início súbito de hematêmese e náuseas intensas, refere não ter tido episódios prévios. Refere dor epigástrica leve e sensação de cansaço, mas nega melena ou alteração do hábito intestinal. Ao exame físico sem alterações significativas. Paciente nega comorbidades conhecidas. Ao Exame físico: Sinais vitais: Pressão arterial 100/70 mmHg; frequência cardíaca 110 bpm; frequência respiratória 18 irpm.Abdome: Sensibilidade leve em epigástrio, sem sinais de peritonite ou massa palpável. Exames complementares: Hb 8,5 g/dL RNI: 1,2. Neste caso, o CORRETO manejo desse paciente é:

Alternativas

  1. A) Realizar ressuscitação volêmica objetivando PAM > 65mmHg, manter Hb > 7,0, iniciar inibidor de bomba de prótons em dose dobrada venoso, eritromicina e realizar endoscopia em até 24 horas.
  2. B) Realizar ressuscitação volêmica objetivando PAM > 65mmHg, manter Hb > 7,0, iniciar inibidor de bomba de prótons em dose dobrada venoso, iniciar Octreotite e realizar endoscopia em até 12 horas.
  3. C) Realizar ressuscitação volêmica objetivando PAM > 85mmHg, manter Hb > 9,0, iniciar inibidor de bomba de prótons em dose dobrada venoso, eritromicina e realizar endoscopia em até 12 horas.
  4. D) Realizar ressuscitação volêmica objetivando PAM > 65mmHg, manter Hb > 7,0, iniciar inibidor de bomba de prótons em dose dobrada venoso, eritromicina, Octreotide e realizar endoscopia em até 12 horas.

Pérola Clínica

HDA com instabilidade hemodinâmica → Ressuscitação volêmica, IBP IV, eritromicina, EDA < 24h, Hb > 7.

Resumo-Chave

O manejo inicial da HDA com sinais de instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão) foca na estabilização do paciente com ressuscitação volêmica e transfusão se necessário (Hb < 7,0 g/dL). A administração de IBP em dose dobrada e eritromicina (procinético) visa otimizar as condições para a endoscopia digestiva alta, que deve ser realizada precocemente.

Contexto Educacional

A Hemorragia Digestiva Alta (HDA) é uma emergência médica comum, definida como sangramento proximal ao ligamento de Treitz. Suas principais causas incluem úlceras pépticas, varizes esofágicas, esofagite e síndrome de Mallory-Weiss. A importância clínica reside na alta morbimortalidade se não for prontamente diagnosticada e tratada, sendo uma das principais causas de internação em serviços de emergência. A apresentação clássica é hematêmese e/ou melena. A fisiopatologia envolve a ruptura da integridade da mucosa gastrointestinal, levando à perda sanguínea. O diagnóstico inicial é clínico, baseado na história e exame físico, com atenção aos sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, palidez). Exames laboratoriais como hemograma (Hb), coagulograma (RNI) e função renal são cruciais. A suspeita de HDA deve ser alta em pacientes com hematêmese, melena ou sinais de choque sem outra causa aparente. O tratamento inicial foca na estabilização hemodinâmica com ressuscitação volêmica (cristaloides) e, se necessário, transfusão sanguínea (objetivo Hb > 7,0 g/dL na maioria dos pacientes, ou > 9,0 g/dL em cardiopatas). Inibidores de bomba de prótons (IBP) venosos em dose dobrada são indicados para reduzir o sangramento e o ressangramento de úlceras. A eritromicina é um procinético útil para melhorar a visualização endoscópica. A endoscopia digestiva alta (EDA) é o pilar diagnóstico e terapêutico, devendo ser realizada precocemente (em até 24 horas, ou antes em casos de alto risco ou sangramento ativo). O prognóstico depende da causa, gravidade do sangramento e comorbidades do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta de uma HDA grave?

Sinais de alerta incluem instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão), hematêmese volumosa, melena, síncope e alterações laboratoriais como queda da hemoglobina, indicando perda sanguínea significativa.

Qual o papel da eritromicina no manejo da HDA?

A eritromicina é um procinético que acelera o esvaziamento gástrico, melhorando a visualização da mucosa durante a endoscopia digestiva alta e facilitando a identificação da fonte do sangramento, o que é crucial para o tratamento.

Quando a endoscopia digestiva alta deve ser realizada em casos de HDA?

Em pacientes com HDA e instabilidade hemodinâmica ou alto risco, a endoscopia deve ser realizada em até 12-24 horas. Em casos de sangramento ativo e grave, pode ser indicada em menos de 12 horas para intervenção imediata.

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