Úlcera Gástrica Forrest 2A: Risco de Ressangramento e Conduta

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, de 64 anos, portador de cirrose alcoólica, vem ao Pronto-Socorro referindo vômitos com sangue em grande quantidade. Nega antecedente de hemorragia digestiva. Realizada endoscopia digestiva alta com achado de varizes em esôfago e fundo gástrico, de médio calibre e úlcera gástrica pré-pilórica Forrest 2A. Qual é a taxa aproximada de ressangramento e a conduta indicada?

Alternativas

  1. A) 10%, tratamento da úlcera com esclerose com argônio.
  2. B) 30%, tratamento das varizes com terlipressina.
  3. C) 45%, tratamento da úlcera com clip e esclerose.
  4. D) 50%, tratamento das varizes com esclerose.

Pérola Clínica

Úlcera gástrica Forrest 2A (vaso visível não sangrante) → alto risco ressangramento (45%) → tratamento endoscópico (clipagem + esclerose).

Resumo-Chave

A úlcera gástrica Forrest 2A (vaso visível não sangrante) tem um risco de ressangramento de aproximadamente 45%, sendo considerada de alto risco. A conduta indicada é o tratamento endoscópico com métodos hemostáticos duplos, como a clipagem associada à esclerose ou injeção de adrenalina, para reduzir significativamente esse risco.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma emergência médica comum, com causas variadas, sendo as úlceras pépticas e as varizes esofágicas as mais frequentes. A classificação de Forrest é crucial para estratificar o risco de ressangramento de úlceras pépticas e guiar a conduta terapêutica. A cirrose alcoólica, como no caso apresentado, é um fator de risco importante para varizes esofágicas, mas também pode predispor a úlceras. A fisiopatologia da HDA por úlcera envolve a erosão da mucosa gastrointestinal por fatores agressivos (ácido, pepsina, H. pylori, AINEs) que atingem vasos sanguíneos. A classificação de Forrest 2A, com vaso visível não sangrante, indica que o vaso está exposto e pode sangrar a qualquer momento, justificando a alta taxa de ressangramento. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta. O tratamento da HDA por úlcera Forrest 2A é primariamente endoscópico. A combinação de métodos hemostáticos, como a injeção de adrenalina (esclerose) para vasoconstrição e tamponamento, e a aplicação de clipes hemostáticos para oclusão mecânica do vaso, é a abordagem mais eficaz. Além disso, o uso de inibidores da bomba de prótons (IBP) em alta dose é fundamental para a cicatrização da úlcera e prevenção de novos sangramentos.

Perguntas Frequentes

O que significa uma úlcera gástrica classificada como Forrest 2A?

Uma úlcera gástrica Forrest 2A indica a presença de um vaso visível não sangrante no leito da úlcera, o que confere um alto risco de ressangramento.

Qual o risco aproximado de ressangramento para uma úlcera Forrest 2A?

O risco de ressangramento para uma úlcera Forrest 2A é significativo, aproximando-se de 45%, o que justifica uma intervenção terapêutica endoscópica.

Qual a conduta endoscópica mais indicada para úlcera Forrest 2A?

A conduta mais indicada é o tratamento endoscópico combinado, utilizando dois métodos hemostáticos, como a clipagem (mecânico) e a esclerose com adrenalina (químico), para otimizar a hemostasia e reduzir o risco de ressangramento.

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