Hemorragia Digestiva Alta: Diagnóstico e Manejo em Etilistas

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2022

Enunciado

Paciente masculino, 50 anos, já acompanhado na unidade de saúde por história de etilismo crônico e ansiedade. Refere à médica da sua equipe que há 2 dias apresenta dor em parte superior de abdomen, fezes escuras e com odor forte. Ao exame físico chama atenção apenas o emagrecimento e mucosas hipocoradas. Qual seria sua suspeita inicial e conduta?

Alternativas

  1. A) Hemorragia digestiva baixa por neoplasia intestinal. Solicitar colonoscopia.
  2. B) Varizes de esôfago por cirrose hepática. Encaminhar paciente para urgência.
  3. C) Hemorragia Digestiva Alta. Solicitar endoscopia digestiva alta.
  4. D) Úlcera péptica. Prescrever cirurgia endoscópica.

Pérola Clínica

Etilista crônico + dor epigástrica + melena + anemia → suspeitar HDA; conduta = EDA.

Resumo-Chave

A melena (fezes escuras, com odor forte) em um paciente etilista crônico com dor epigástrica e sinais de anemia (mucosas hipocoradas) é altamente sugestiva de Hemorragia Digestiva Alta (HDA). A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) é o exame padrão-ouro para diagnóstico e tratamento.

Contexto Educacional

A Hemorragia Digestiva Alta (HDA) é uma emergência médica comum, definida como sangramento proximal ao ligamento de Treitz. Sua importância clínica é alta devido ao risco de instabilidade hemodinâmica e mortalidade. Pacientes com etilismo crônico representam um grupo de alto risco para HDA, principalmente devido à cirrose hepática e suas complicações, como varizes esofágicas, ou por lesões da mucosa gástrica e duodenal induzidas pelo álcool. O quadro clínico típico de HDA inclui melena, que são fezes escuras, com odor fétido e aspecto de borra de café, resultantes da digestão do sangue no trato gastrointestinal superior. Outros sintomas podem ser hematêmese, dor epigástrica e sinais de anemia aguda ou crônica, como palidez e fadiga. A suspeita diagnóstica é clínica, baseada na história e exame físico, e a confirmação e tratamento dependem da Endoscopia Digestiva Alta (EDA). A conduta inicial na HDA foca na estabilização hemodinâmica do paciente, com acesso venoso, reposição volêmica e, se necessário, transfusão sanguínea. A EDA deve ser realizada o mais breve possível, idealmente nas primeiras 24 horas, para identificar a fonte do sangramento (ex: úlcera péptica, varizes esofágicas, gastrite erosiva) e aplicar terapias endoscópicas para hemostasia. O prognóstico depende da causa do sangramento, da gravidade e da presença de comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de Hemorragia Digestiva Alta?

Os sinais e sintomas de HDA incluem hematêmese (vômitos com sangue), melena (fezes escuras, pegajosas e com odor fétido), dor epigástrica, tontura, fraqueza e sinais de anemia como palidez de mucosas.

Por que o etilismo crônico é um fator de risco para HDA?

O etilismo crônico é um fator de risco importante para HDA devido a condições como varizes esofágicas (por cirrose), gastrite erosiva, úlceras pépticas e síndrome de Mallory-Weiss, todas causadas ou agravadas pelo consumo de álcool.

Qual a conduta inicial e o exame diagnóstico para HDA?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica do paciente. O exame diagnóstico padrão-ouro é a Endoscopia Digestiva Alta (EDA), que permite identificar a fonte do sangramento e realizar terapia endoscópica.

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