INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Um paciente com 32 anos de idade, tabagista, com histórico de epigastralgia, apresentou, há cerca de 4 horas, quadro de hematêmese e melena. Ao chegar a um pronto-socorro hospitalar, encontrava-se com PA = 90 x 50 mmHg e FC = 112 bpm. No local, foram realizadas reposição volêmica com normalização dos parâmetros hemodinâmicos bem como endoscopia digestiva alta, que evidenciou úlcera péptica localizada na incisura angularis do estômago, com vaso visível, porém sem sangramento ativo. Realizou-se, então, terapia combinada de hemostasia da úlcera. Nesse caso, a conduta imediata adequada para o paciente é indicar
HDA por úlcera com vaso visível + estabilização hemodinâmica → Internação, IBP IV, monitorização.
Após estabilização hemodinâmica e hemostasia endoscópica de úlcera péptica com vaso visível, o paciente ainda apresenta alto risco de ressangramento. A conduta inclui internação para monitorização contínua e uso de IBP endovenoso em alta dose para otimizar a cicatrização da úlcera e reduzir o risco de novo sangramento.
A hemorragia digestiva alta (HDA) por úlcera péptica é uma emergência médica comum, com morbimortalidade significativa. Pacientes com fatores de risco como tabagismo e histórico de epigastralgia devem ser avaliados rapidamente. A apresentação clássica inclui hematêmese e/ou melena, frequentemente acompanhada de sinais de instabilidade hemodinâmica. A estabilização hemodinâmica inicial com reposição volêmica é prioritária. A endoscopia digestiva alta é o pilar diagnóstico e terapêutico, permitindo identificar a fonte do sangramento e realizar hemostasia. A presença de um vaso visível na úlcera, mesmo sem sangramento ativo, confere alto risco de ressangramento, justificando terapia endoscópica combinada. Após a hemostasia endoscópica, a conduta inclui internação hospitalar para monitorização rigorosa e administração de inibidores de bomba de prótons (IBP) endovenosos em alta dose. Essa medida é crucial para manter o pH gástrico elevado, otimizando a formação e estabilidade do coágulo, e reduzindo o risco de ressangramento. A monitorização hemodinâmica não invasiva é essencial para detectar precocemente qualquer deterioração.
Fatores de risco incluem presença de vaso visível, sangramento ativo durante a endoscopia, úlceras grandes (>2 cm), localização posterior no duodeno ou curvatura menor gástrica, e uso contínuo de AINEs ou anticoagulantes.
O IBP endovenoso em alta dose eleva o pH gástrico, inibindo a atividade da pepsina e promovendo a estabilização do coágulo, o que reduz significativamente o risco de ressangramento e a necessidade de cirurgia.
A cirurgia é indicada em casos de falha da terapia endoscópica (sangramento persistente ou ressangramento após duas tentativas), instabilidade hemodinâmica refratária, ou quando a úlcera é muito grande ou profunda para manejo endoscópico.
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