Hemorragia Digestiva Alta: Manejo Inicial do Choque

CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 30 anos, chegou ao serviço de emergência com queixa de hematêmese e enterorragia, acompanhado de lipotímia. ao exame apresentava-se sudoreico, com palidez cutâneo mucosa acentuada, hipotenso, taquicárdico, com pulso fino e filiforme . sua esposa relatou que o mesmo vinha apresentando dor intensa na região epigástrica, em queimação, que melhorava com leite e com a alimentação; trouxe do upa exame com hg-8,0 g/dl ht- 26 plaquetas acima de 120mil. qual deve ser a medida terapêutica inicial neste caso?

Alternativas

  1. A) endoscopia digestiva alta
  2. B) repor líquido e, assim que for possível, repor hemácias.
  3. C) endoscopia digestiva baixa
  4. D) jejum oral; dois acessos venos periférico calibrosos e expansão volêmica

Pérola Clínica

HDA com instabilidade hemodinâmica → 2 acessos calibrosos, expansão volêmica imediata.

Resumo-Chave

Em pacientes com hemorragia digestiva e sinais de choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia, palidez), a prioridade é a estabilização hemodinâmica com acessos venosos calibrosos e expansão volêmica, antes de qualquer investigação diagnóstica.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma emergência médica comum, definida como sangramento proximal ao ligamento de Treitz. Suas principais causas incluem úlceras pépticas, varizes esofágicas, esofagite e síndrome de Mallory-Weiss. A apresentação clínica varia de melena e hematêmese a sinais de choque hipovolêmico, dependendo da intensidade e velocidade do sangramento. A fisiopatologia do choque hipovolêmico na HDA é a perda aguda de volume sanguíneo, levando à diminuição do débito cardíaco e perfusão tecidual inadequada. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas de sangramento e sinais de instabilidade hemodinâmica. A história de dor epigástrica que melhora com alimentação sugere úlcera péptica. Exames laboratoriais como hemograma podem mostrar anemia, mas o hematócrito pode não refletir a perda real nas primeiras horas. O manejo inicial da HDA com instabilidade hemodinâmica é a estabilização do paciente, seguindo o ABC do trauma. Isso inclui garantir dois acessos venosos periféricos de grosso calibre, iniciar o jejum oral e a expansão volêmica com cristaloides (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) e, se necessário, transfusão de hemoderivados. A endoscopia digestiva alta é o método diagnóstico e terapêutico definitivo, mas deve ser realizada somente após a estabilização hemodinâmica do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico em hemorragia digestiva?

Os sinais incluem hipotensão arterial, taquicardia, pulsos finos e filiformes, palidez cutâneo-mucosa, sudorese, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do nível de consciência, indicando perfusão tecidual inadequada.

Qual a importância dos acessos venosos calibrosos na HDA com choque?

Acessos venosos calibrosos (calibre 14G ou 16G) são cruciais para permitir a infusão rápida de grandes volumes de fluidos e hemoderivados, essencial para reverter o choque hipovolêmico e restaurar a volemia do paciente de forma eficaz.

Quando a endoscopia digestiva alta deve ser realizada em casos de HDA?

A endoscopia digestiva alta deve ser realizada após a estabilização hemodinâmica do paciente, idealmente nas primeiras 12-24 horas, para identificar a causa do sangramento, realizar hemostasia e guiar o tratamento definitivo.

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