PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Sobre as lesões que podem ser diagnosticadas como causas de hemorragia digestiva alta não varicosa assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmativas a seguir. ( ) A Síndrome de Mallory Weiss é caracterizada por lacerações da mucosa esofágica, após episódios de vômitos incoercíveis, levando à hematêmese. A quantidade de sangue perdida geralmente é pequena e autolimitada. ( ) A lesão de Dieulafoy é um ramo arterial submucoso aberrante e dilatado, que erode na superfície da mucosa, na ausência de lesão ulcerada. É mais comum no corpo gástrico proximal, ao longo da pequena curvatura. ( ) As úlceras pépticas com classificação endoscópica de Forrest IIB, IIC e III apresentam risco de ressangramento menor que 10%, portanto, sem indicação de terapêutica endoscópica específica. ( ) As neoplasias de trato gastrintestinal superior que apresentem sangramento podem ser tratadas com métodos endoscópicos, com bom controle e baixas taxas de ressangramento. ( ) O sangramento persistente ou a falha no tratamento endoscópico referem-se ao sangramento que não é controlado após a endoscopia. O ressangramento é definido como um novo episódio de sangramento após terapia endoscópica bem-sucedida, nos primeiros 90 dias após a hemorragia. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.
Forrest IIB (coágulo) tem alto risco de ressangramento e exige terapia endoscópica; neoplasias sangrantes têm prognóstico ruim.
A classificação de Forrest define a conduta na HDA: lesões IA a IIB são de alto risco e requerem tratamento endoscópico, enquanto IIC e III são de baixo risco.
A hemorragia digestiva alta (HDA) não varicosa permanece como uma emergência médica comum, sendo a úlcera péptica sua principal etiologia. O sucesso do manejo depende da estabilização hemodinâmica precoce seguida de endoscopia digestiva alta (EDA) em até 24 horas. A EDA não é apenas diagnóstica, mas fundamentalmente terapêutica, permitindo o uso de métodos mecânicos (clipes), térmicos ou injeção de substâncias. A Síndrome de Mallory-Weiss e a Lesão de Dieulafoy representam diagnósticos diferenciais importantes. Enquanto a primeira costuma ser autolimitada e associada a esforços de vômito, a segunda pode exigir múltiplas tentativas endoscópicas para localização do vaso aberrante. O conhecimento preciso da classificação de Forrest é o que guia a decisão de alta hospitalar precoce versus internação em unidade de terapia intensiva.
A lesão de Dieulafoy é uma causa rara, mas grave, de HDA. Caracteriza-se por uma artéria submucosa de calibre persistente (aberrante) que erode a mucosa sobrejacente, sem a presença de uma úlcera péptica verdadeira. Localiza-se tipicamente no estômago proximal, perto da pequena curvatura, e pode causar sangramento arterial maciço e intermitente.
A classificação divide as úlceras em: IA (sangramento em jato) e IB (sangramento em porejamento) - alto risco; IIA (vaso visível) e IIB (coágulo aderido) - risco intermediário/alto; IIC (hematina na base) e III (base limpa) - baixo risco. Apenas as categorias IA, IB, IIA e IIB possuem indicação formal de terapia endoscópica obrigatória.
O ressangramento é definido como um novo episódio de hematêmese, melena ou instabilidade hemodinâmica após um período de estabilidade pós-terapia endoscópica bem-sucedida. Geralmente ocorre nos primeiros 3 a 7 dias. A definição de 90 dias mencionada em algumas questões está incorreta, pois refere-se a um seguimento de longo prazo, não ao evento agudo de ressangramento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo