HDA Recidivante: Manejo do Sangramento Pós-Endoscopia

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 43 anos, chega para atendimento no pronto-socorro, relata vômitos com sangue, e fezes escurecidas e fétidas há 01 dia. Ao exame físico, encontra-se descorado, taquicárdico e hipotenso. Realizou endoscopia digestiva alta que evidenciou úlcera péptica pré-pilórica, Forrest 1A, sendo realizada hemostasia da ulceração com solução de adrenalina. Doze horas após a terapêutica endoscópica, apresentou novamente vômitos com sangue em grande quantidade, FC = 110bpm, PA:80x40mmHg. Com base no caso e dados clínicos, o tratamento adequado deve ser:

Alternativas

  1. A) Reposição volêmica e nova endoscopia para terapêutica endoscópica.
  2. B) Terapia intensiva, inibidor de bomba de prótons e tratamento cirúrgico.
  3. C) Transferência para angiografia terapêutica e embolização em hospital terciário.
  4. D) Terapia intensiva e dobrar a dose de inibidor de bomba de prótons endovenoso.
  5. E) Apenas a introdução de noradrenalina irá solucionar o sangramento, pois além de aumentar a pressão arterial irá causar vasoconstrição, não sendo necessária nenhuma outra atuação ou investigação.

Pérola Clínica

HDA com ressangramento pós-endoscopia e instabilidade hemodinâmica → reposição volêmica + nova EDA para hemostasia.

Resumo-Chave

Diante de um ressangramento maciço após uma primeira tentativa de hemostasia endoscópica, especialmente com instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão), a prioridade é a estabilização do paciente com reposição volêmica agressiva. Em seguida, uma nova endoscopia digestiva alta é a conduta mais adequada para tentar uma segunda abordagem terapêutica endoscópica, que pode incluir métodos diferentes ou combinados.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma emergência médica comum, frequentemente causada por úlceras pépticas. A apresentação clínica varia de melena a hematêmese maciça, e a instabilidade hemodinâmica indica gravidade. A estratificação de risco, muitas vezes guiada pela escala de Forrest nos achados endoscópicos, é crucial para o manejo. Úlceras Forrest 1A, como a descrita, indicam sangramento ativo em jato e um alto risco de ressangramento. O tratamento inicial da HDA envolve a estabilização hemodinâmica com reposição volêmica agressiva, geralmente com cristaloides e, se necessário, hemoderivados. A endoscopia digestiva alta de urgência é o pilar do diagnóstico e tratamento, permitindo a identificação da fonte do sangramento e a aplicação de métodos hemostáticos (injeção de adrenalina, clipes, coagulação térmica). No cenário de ressangramento após uma primeira tentativa endoscópica, especialmente com instabilidade hemodinâmica, a conduta mais apropriada é a ressuscitação volêmica imediata seguida de uma nova endoscopia. Uma segunda tentativa endoscópica é frequentemente bem-sucedida e menos invasiva que a cirurgia. A cirurgia ou a angiografia com embolização são reservadas para casos de falha de duas tentativas endoscópicas ou sangramento incontrolável que impeça a visualização ou a hemostasia endoscópica. A terapia intensiva e o uso de inibidores de bomba de prótons são componentes do manejo, mas não substituem a necessidade de controle do sangramento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de ressangramento em um paciente com HDA?

Os sinais de ressangramento incluem novos episódios de hematêmese ou melena, piora da instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão), queda significativa do hematócrito e hemoglobina, e sinais de choque.

Qual a importância da escala de Forrest na HDA?

A escala de Forrest classifica as úlceras pépticas sangrantes de acordo com os achados endoscópicos, indicando o risco de ressangramento e guiando a necessidade e o tipo de terapêutica endoscópica. Forrest 1A e 1B têm alto risco de ressangramento.

Quando a cirurgia é indicada em casos de HDA por úlcera péptica?

A cirurgia é indicada em casos de falha de duas tentativas de tratamento endoscópico, sangramento maciço e incontrolável, instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação e endoscopia, ou perfuração associada.

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