UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2015
Paciente, 35 anos, após uso de anti-inflamatório por 2 semanas, deu entrada no pronto-socorro com história de hemorragia digestiva alta. Refere 3 episódios de vômito vermelho vivo em grande quantidade. Sua pressão arterial é de 100x60, frequência cardíaca de 110 e frequência respiratória de 16 ipm. No caso desse paciente, deve-se:
HDA com instabilidade hemodinâmica → prioridade é reanimação volêmica com acessos calibrosos.
Em pacientes com hemorragia digestiva alta e sinais de choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia), a conduta inicial e mais urgente é a estabilização hemodinâmica. Isso se faz com a instalação de dois acessos venosos periféricos calibrosos e início rápido de reposição volêmica com cristaloides.
A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma emergência médica comum, com alta morbimortalidade se não for prontamente reconhecida e tratada. As principais causas incluem úlceras pépticas (frequentemente associadas ao uso de AINEs ou infecção por H. pylori), varizes esofágicas e esofagite. A apresentação clínica varia desde melena até hematêmese volumosa, como no caso descrito. Em pacientes com HDA, a prioridade máxima é a estabilização hemodinâmica, especialmente se houver sinais de choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia, taquipneia). A conduta inicial envolve a obtenção de dois acessos venosos periféricos de grosso calibre (14-18G) e a rápida reposição volêmica com cristaloides. A monitorização contínua dos sinais vitais e oximetria de pulso são essenciais. A transfusão de hemácias deve ser considerada em pacientes com instabilidade hemodinâmica persistente ou hemoglobina < 7 g/dL (ou < 9 g/dL em cardiopatas). Após a estabilização inicial, outras medidas incluem a administração de inibidores da bomba de prótons (IBP) intravenosos, a passagem de sonda nasogástrica (para avaliar o sangramento e esvaziar o estômago) e o acionamento do endoscopista para a realização de endoscopia digestiva alta de urgência, que permite identificar a fonte do sangramento e realizar hemostasia. O cirurgião deve ser acionado em casos de falha da terapia endoscópica ou sangramento maciço incontrolável.
Os sinais de choque hipovolêmico incluem hipotensão (PA < 90/60 mmHg), taquicardia (> 100 bpm), taquipneia, alteração do nível de consciência, extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado e oligúria. No caso apresentado, PA 100x60 e FC 110 já indicam instabilidade.
A primeira e mais crucial medida é a reanimação volêmica agressiva. Isso envolve a obtenção de dois acessos venosos periféricos de grosso calibre e a infusão rápida de cristaloides (soro fisiológico 0,9% ou Ringer lactato) para restaurar a volemia e estabilizar o paciente.
Os AINEs são uma causa comum de hemorragia digestiva alta, pois inibem a ciclo-oxigenase, reduzindo a produção de prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica. Isso pode levar à formação de úlceras e erosões que sangram, especialmente com uso prolongado ou em doses elevadas.
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