Hemorragia Digestiva Alta em Cirróticos: Conduta Transfusional

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 44 anos, etilista e portador de hepatite C é admitido no pronto socorro com quadro clínico de hemorragia digestiva alta. Exame físico encontra-se em regular estado geral, descorado, taquicárdico, normotenso. Leucocitos 4.000, plaquetas 60.000, proteínas totais 4,9g/dl, albumina 1,8g/dl. Tempo de protrombina 26%, atividade de protrombina 35%, RNI 2,30, tempo de tromboplastina parcial ativado 46s, fibrinogênio 148mg/dl. A conduta transfusional correta é:

Alternativas

  1. A) Concentrado de hemácia, concentrado de plaquetas, plasma fresco congelado e albumina.
  2. B) Concentrado de hemácias e plasma fresco congelado.
  3. C) Concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas e plasma fresco congelado.
  4. D) Concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e albumina.

Pérola Clínica

HDA + cirrose + coagulopatia (RNI 2,3) + anemia (descorado, taquicárdico) → Hemácias + PFC. Plaquetas >50.000 não transfundir.

Resumo-Chave

Em pacientes com hemorragia digestiva alta e cirrose, a transfusão de concentrado de hemácias é indicada para corrigir a anemia e manter a perfusão. O plasma fresco congelado é essencial para corrigir a coagulopatia (RNI elevado) comum na doença hepática, enquanto as plaquetas só são transfundidas se <50.000 ou sangramento microvascular.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) em pacientes com cirrose hepática é uma emergência médica grave, frequentemente associada à hipertensão portal e varizes esofágicas. Esses pacientes apresentam um risco elevado de ressangramento e alta mortalidade, exacerbado pela disfunção hepática que leva a coagulopatias e plaquetopenia. O manejo inicial da HDA em cirróticos envolve estabilização hemodinâmica, proteção de via aérea, uso de drogas vasoativas (terlipressina, octreotide) e profilaxia antibiótica. A conduta transfusional é crucial e deve ser guiada por parâmetros clínicos e laboratoriais. A transfusão de concentrado de hemácias visa restaurar a capacidade de transporte de oxigênio e estabilizar o paciente, com um alvo de hemoglobina geralmente entre 7-8 g/dL, evitando supertransfusão que pode aumentar a pressão portal. A coagulopatia é comum na cirrose devido à síntese deficiente de fatores de coagulação. O plasma fresco congelado (PFC) é indicado para corrigir distúrbios de coagulação significativos (como RNI >1,5-2,0) em pacientes com sangramento ativo. A transfusão de plaquetas é geralmente reservada para contagens abaixo de 50.000/mm³ em sangramento ativo ou antes de procedimentos, ou abaixo de 20.000/mm³ em casos de sangramento espontâneo. No caso apresentado, com plaquetas de 60.000, não há indicação para transfusão de plaquetas.

Perguntas Frequentes

Quando transfundir concentrado de hemácias em pacientes com HDA?

Concentrado de hemácias é indicado para manter a hemoglobina acima de 7 g/dL em pacientes estáveis, ou acima de 9 g/dL em pacientes com doença cardiovascular ou sangramento ativo e instabilidade hemodinâmica.

Qual a indicação de plasma fresco congelado na hemorragia digestiva alta?

O plasma fresco congelado é indicado para corrigir coagulopatias significativas (RNI >1,5-2,0 ou TP prolongado) em pacientes com sangramento ativo ou antes de procedimentos invasivos, especialmente em hepatopatas.

Em que situações se deve transfundir plaquetas em pacientes com cirrose e HDA?

Plaquetas são transfundidas se a contagem for <50.000/mm³ em pacientes com sangramento ativo ou antes de procedimentos invasivos, ou <20.000/mm³ mesmo sem sangramento. No caso, 60.000 plaquetas não justificam transfusão.

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