Hemorragia Digestiva Alta Varicosa: Manejo Inicial do Choque

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 43 anos é encaminhado para a emergência de um hospital referenciado, referindo dois episódios de hematêmese volumosa há 5 horas. Ele refere estar em tratamento para cirrose hepática e varizes de esôfago neste serviço. Na chegada, ele está pálido e ansioso. Sua pressão arterial é de 90 /60 mm Hg e a frequência cardíaca é de 115 btm. Qual o primeiro passo no manejo deste paciente?

Alternativas

  1. A) Encaminhar o paciente rapidamente ao setor de endoscopia.
  2. B) Instalar cateter de grosso calibre e iniciar ressuscitação com cristaloide. 
  3. C) Realizar uma angiotomografia de abdome para avaliar a causa da hemorragia.
  4. D) Encaminhar o paciente diretamente para o bloco cirúrgico.

Pérola Clínica

Hemorragia digestiva alta + instabilidade hemodinâmica → Acesso venoso calibroso + ressuscitação volêmica com cristaloide.

Resumo-Chave

Em pacientes com hemorragia digestiva alta e sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, palidez), a prioridade absoluta é a estabilização do paciente. Isso envolve garantir acesso venoso adequado e iniciar a reposição volêmica com cristaloides para restaurar a perfusão tecidual antes de qualquer investigação diagnóstica invasiva.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) por varizes esofágicas é uma complicação grave da cirrose hepática, com alta morbimortalidade. A apresentação clínica típica é hematêmese volumosa, melena ou enterorragia, frequentemente acompanhada de sinais de choque hipovolêmico devido à perda sanguínea significativa. O reconhecimento rápido e o manejo inicial agressivo são determinantes para o prognóstico do paciente. O primeiro passo no manejo de um paciente com HDA varicosa e instabilidade hemodinâmica é a estabilização. Isso inclui a obtenção de dois acessos venosos periféricos de grosso calibre, início imediato de ressuscitação volêmica com cristaloides (solução salina 0,9% ou Ringer lactato) e, se necessário, transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas) para manter a hemoglobina acima de 7 g/dL e corrigir coagulopatias. Além disso, a administração de drogas vasoativas (terlipressina ou octreotide) e antibióticos profiláticos deve ser iniciada precocemente. Após a estabilização hemodinâmica, a endoscopia digestiva alta deve ser realizada para confirmar a origem do sangramento e realizar o tratamento endoscópico (ligadura elástica ou escleroterapia). Em casos refratários, outras opções incluem o balão de Sengstaken-Blakemore ou a colocação de TIPS (shunt portossistêmico intra-hepático transjugular). O manejo multidisciplinar e a vigilância contínua são essenciais para otimizar os resultados e prevenir ressangramentos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico em um paciente com hemorragia digestiva?

Sinais de choque hipovolêmico incluem hipotensão arterial, taquicardia, palidez, extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado, alteração do estado mental (ansiedade, confusão) e oligúria.

Qual a importância do acesso venoso calibroso na hemorragia digestiva grave?

O acesso venoso calibroso (dois cateteres periféricos de grosso calibre, como 14G ou 16G) é fundamental para permitir a rápida infusão de fluidos e hemoderivados, essencial para a ressuscitação volêmica eficaz.

Quando a endoscopia digestiva alta deve ser realizada em casos de hemorragia varicosa?

A endoscopia digestiva alta deve ser realizada o mais rápido possível após a estabilização hemodinâmica do paciente, idealmente dentro de 12 horas, para diagnóstico e tratamento endoscópico da hemorragia.

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