Hemorragia Digestiva Alta: Abordagem Inicial e Estabilização

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2022

Enunciado

Em relação à hemorragia digestiva alta, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O hematócrito é um excelente indicador precoce da magnitude da perda sanguínea. 
  2. B) A melena se desenvolve após a perda de 10-30 mL de sangue no trato gastrointestinal superior, enquanto hematoquezia requer uma perda de pelo menos 100 ml.
  3. C) Em ordem decrescente de importância, as principais causas de hemorragia digestiva alta são Síndrome de Mallory Weiss, Anormalidades Vasculares, Hipertensão Portal, Doença Ulcerosa Hepática e Gastrite Erosiva.
  4. D) A etapa inicial de abordagem é a avaliação do estado hemodinâmico. Uma pressão arterial sistólica inferior a 100 mmHg identifica um paciente de alto risco com sangramento agudo grave. Uma frequência cardíaca de mais de 100 batimentos / min com pressão arterial sistólica acima 100 mmHg significa perda de sangue aguda e moderada. 
  5. E) Concentrado de hemácias deve ser administrado para manter a hemoglobina em 10g/dl, com base na hemodinâmica do paciente, status, comorbidades (especialmente doenças cardiovasculares) e presença de sangramento contínuo.

Pérola Clínica

HDA → prioridade é estabilização hemodinâmica; PA sistólica < 100 mmHg = alto risco.

Resumo-Chave

Na Hemorragia Digestiva Alta (HDA), a avaliação e estabilização hemodinâmica são a primeira e mais crítica etapa. Sinais como hipotensão (PAS < 100 mmHg) e taquicardia (> 100 bpm) indicam perda sanguínea significativa e alto risco.

Contexto Educacional

A Hemorragia Digestiva Alta (HDA) é uma emergência médica comum, definida como sangramento proximal ao ligamento de Treitz. Suas principais causas incluem doença ulcerosa péptica, varizes esofágicas, esofagite, Síndrome de Mallory-Weiss e lesões vasculares. A HDA pode ser fatal se não for prontamente reconhecida e tratada, sendo a avaliação inicial do estado hemodinâmico o pilar fundamental da abordagem. A fisiopatologia da HDA envolve a perda de sangue para o lúmen gastrointestinal, podendo levar a hipovolemia e choque. O diagnóstico baseia-se na história clínica (hematêmese, melena), exame físico (sinais de hipovolemia) e exames laboratoriais. A endoscopia digestiva alta é o principal método diagnóstico e terapêutico, permitindo identificar a fonte do sangramento e realizar intervenções hemostáticas. O tratamento inicial foca na estabilização hemodinâmica com reposição volêmica agressiva e, se necessário, transfusão de hemácias. A meta de hemoglobina geralmente é de 7-8 g/dL, mas pode ser maior em pacientes com comorbidades cardiovasculares. O uso de inibidores da bomba de prótons (IBP) e, em casos de varizes, terlipressina e antibióticos, são parte do manejo farmacológico.

Perguntas Frequentes

Qual é a primeira etapa na abordagem de um paciente com Hemorragia Digestiva Alta?

A primeira e mais crucial etapa é a avaliação e estabilização do estado hemodinâmico do paciente, incluindo acesso venoso calibroso, reposição volêmica com cristaloides e, se necessário, transfusão sanguínea.

Quais sinais indicam um paciente de alto risco com HDA?

Sinais de alto risco incluem pressão arterial sistólica inferior a 100 mmHg, frequência cardíaca superior a 100 batimentos/minuto, extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do nível de consciência.

Por que o hematócrito não é um bom indicador precoce da perda sanguínea na HDA?

O hematócrito pode não refletir a magnitude real da perda sanguínea nas primeiras horas devido à vasoconstrição e à falta de tempo para a hemodiluição compensatória, que só ocorre após a reposição volêmica ou mobilização de fluidos intersticiais.

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