UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Paciente masculino, 26 anos, com história de uso frequente de anti-inflamatórios não esteroides, vem à emergência por melena iniciada há 4h. Ao exame físico da chegada, o abdome não estava distendido, a frequência cardíaca era de 98bpm e a pressão arterial de 135/69mmHg. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA.
Hemorragia digestiva aguda: Sinais vitais são cruciais na avaliação inicial; Hb pode não refletir perda aguda.
A avaliação inicial da hemorragia digestiva deve focar na estabilidade hemodinâmica, pois a hemoglobina pode demorar a cair em sangramentos agudos. A melena, embora classicamente associada a sangramento alto, pode ocorrer em sangramentos de intestino delgado ou cólon proximal.
A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma emergência médica comum, com alta morbimortalidade. É definida como sangramento proximal ao ligamento de Treitz, manifestando-se como hematêmese ou melena. A etiologia mais comum envolve úlceras pépticas (gastroduodenais), varizes esofágicas, esofagite, gastrite erosiva e lacerações de Mallory-Weiss, frequentemente exacerbadas pelo uso de AINEs. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para o prognóstico do paciente. A avaliação inicial de um paciente com HDA deve focar na estabilidade hemodinâmica. Sinais vitais como frequência cardíaca e pressão arterial são indicadores mais imediatos e confiáveis de hipovolemia e choque do que a hemoglobina, que pode não refletir a perda sanguínea aguda devido à ausência de hemodiluição imediata. Escores de risco como Rockall e Glasgow-Blatchford são úteis para estratificar o risco de ressangramento e mortalidade, guiando a conduta e o tempo da endoscopia digestiva alta, que idealmente deve ser realizada em até 24 horas, e em casos de alto risco, nas primeiras 12 horas. O tratamento inicial envolve a estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos e, se necessário, transfusão sanguínea. A endoscopia digestiva alta é diagnóstica e terapêutica, permitindo a identificação da fonte do sangramento e a aplicação de métodos hemostáticos. O manejo farmacológico com inibidores da bomba de prótons (IBP) é fundamental para reduzir o risco de ressangramento em úlceras pépticas. A suspensão de AINEs e anticoagulantes, quando possível, também é parte integrante do tratamento.
Sinais de alerta incluem hipotensão, taquicardia, extremidades frias, alteração do nível de consciência e débito urinário reduzido, indicando instabilidade hemodinâmica e necessidade de intervenção imediata.
A hemoglobina pode não cair imediatamente em sangramentos agudos porque a hemodiluição, que reflete a perda de volume e a compensação fisiológica, leva tempo para ocorrer. Os sinais vitais são mais sensíveis à perda volêmica inicial.
Os AINEs são uma causa comum de hemorragia digestiva alta devido à sua capacidade de inibir a ciclooxigenase, reduzindo a produção de prostaglandinas protetoras da mucosa gástrica e duodenal, levando à formação de úlceras e erosões.
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