Hemorragia Digestiva Alta em UTI: Diagnóstico e Manejo

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, de 30 anos de idade, está internado em Unidade de Terapia Intensiva há uma semana por sepse de foco pulmonar, evoluindo com necessidade de terapia de substituição renal. Evoluiu com episódio de enterorragia maciça, acompanhada de instabilidade hemodinâmica e necessidade de introdução de drogas vasoativas. No momento, encontra-se sedado e sob ventilação mecânica. Ao exame físico, está descorado 1+/4+, com pressão arterial de 90x60mmHg e frequência cardíaca de 120bpm, em uso de noradrenalina. O abdome está plano e flácido. O toque retal evidencia presença de sangue vivo, sem lesões tocáveis e sem doença orificial. Considerando a principal etiologia para o quadro deste paciente, qual é o procedimento indicado neste momento?

Alternativas

  1. A) Colonoscopia
  2. B) Endoscopia digestiva alta
  3. C) Passagem de balão de Sangstaken-Blakemore
  4. D) Cintilografia com hemácias marcadas

Pérola Clínica

Paciente crítico em UTI com enterorragia maciça e instabilidade hemodinâmica → HDA por úlcera de estresse é principal etiologia → EDA de urgência.

Resumo-Chave

Em pacientes críticos internados em UTI, especialmente com sepse e necessidade de drogas vasoativas, a principal causa de sangramento gastrointestinal maciço é a hemorragia digestiva alta (HDA) por úlceras de estresse ou gastropatia hemorrágica. A endoscopia digestiva alta (EDA) é o procedimento diagnóstico e terapêutico de escolha para localizar e tratar a fonte do sangramento.

Contexto Educacional

Pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) estão sob alto risco de desenvolver sangramento gastrointestinal, sendo a hemorragia digestiva alta (HDA) por lesões agudas da mucosa gástrica (úlcera de estresse ou gastropatia hemorrágica) a etiologia mais comum. Fatores como sepse, choque, ventilação mecânica, coagulopatias e uso de drogas vasoativas contribuem para a isquemia da mucosa e comprometimento dos mecanismos de defesa, levando à formação de lesões. O quadro clínico de enterorragia maciça com instabilidade hemodinâmica em um paciente crítico, como o descrito, deve levantar forte suspeita de HDA, mesmo que o sangramento seja visualizado no toque retal. O rápido trânsito intestinal em situações de choque pode fazer com que o sangue de uma lesão alta apareça como sangue vivo nas fezes. A prioridade é a estabilização hemodinâmica com fluidos e, se necessário, transfusão de hemoderivados. Após a estabilização inicial, a endoscopia digestiva alta (EDA) de urgência é o procedimento diagnóstico e terapêutico de escolha. Ela permite a identificação da fonte do sangramento e a realização de hemostasia endoscópica (infiltração, clipagem, coagulação). A profilaxia para úlcera de estresse com inibidores de bomba de prótons é uma medida importante em pacientes de alto risco na UTI.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de sangramento gastrointestinal em pacientes críticos na UTI?

A principal causa é a hemorragia digestiva alta (HDA) devido a úlceras de estresse ou gastropatia hemorrágica, que se desenvolvem em resposta ao estresse fisiológico grave, como sepse, choque e ventilação mecânica.

Por que a endoscopia digestiva alta é o procedimento indicado neste cenário?

A endoscopia digestiva alta (EDA) é o procedimento de escolha porque permite visualizar diretamente a mucosa do esôfago, estômago e duodeno, identificar a fonte do sangramento (como úlceras ou erosões) e realizar intervenções terapêuticas imediatas para controlar a hemorragia.

Quais fatores de risco predispõem pacientes de UTI a sangramento gastrointestinal por estresse?

Os principais fatores de risco incluem ventilação mecânica por mais de 48 horas, coagulopatia, sepse, choque, trauma grave, queimaduras extensas, lesão renal aguda e uso de drogas vasoativas. A profilaxia com inibidores de bomba de prótons é frequentemente utilizada nesses casos.

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