Hemorragia Digestiva Alta: Manejo Inicial e Tratamento

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo masculino, industriário, 54 anos, é conduzido por familiares ao pronto atendimento devido a “desmaio no banheiro” pela manhã. É admitido algo sonolento, anictérico, hipocorado +++/4, taquicárdico, discretamente dispneico e hipotenso. Seu exame cardiopulmonar não tem alterações e seu abdome é atípico, sem circulação colateral, plano, flácido, indolor, sem massas palpáveis. Realizou um hemograma de urgência que evidenciou 7.500 leucócitos, hemoglobina 6,3 g/dl, hematócrito 18,7% e plaquetas 350.000. Após ressuscitação volêmica com ringer lactato, seu status hemodinâmico e o nível de consciência normalizaram. Então o paciente referiu que vinha apresentando abundantes fezes escuras “como açaí” há 1 semana. Nega vômitos, disfagia, perda de peso e demais sintomas. Refere epigastralgia crônica, tratando-a por conta própria com antiácidos.Assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Caso a endoscopia digestiva alta evidencie lesão gástrica ulcerosa classe IIC de Forrest, o próximo passo é laparotomia urgente para controle do foco de sangramento.
  2. B) A evolução sub-aguda do caso associada a suspeita de hemorragia digestiva alta sugere provável Síndrome de Mallory-Weiss.
  3. C) O tratamento deste paciente provavelmente envolverá inibidores de bomba de prótons.
  4. D) O uso do balão de Sangstaken-Blackmore é essencial na abordagem terapêutica inicial deste paciente.

Pérola Clínica

HDA com melena e epigastralgia crônica → úlcera péptica; IBP são essenciais no tratamento.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais clássicos de hemorragia digestiva alta (melena, anemia, hipotensão) com história de epigastralgia crônica, sugerindo úlcera péptica. O tratamento inicial inclui ressuscitação volêmica e inibidores de bomba de prótons (IBP), que reduzem o risco de ressangramento.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma emergência médica comum, com alta morbimortalidade se não for prontamente reconhecida e tratada. As principais causas incluem úlceras pépticas (gástricas ou duodenais), esofagites, varizes esofágicas e Síndrome de Mallory-Weiss. A apresentação clínica clássica envolve hematêmese ou melena, acompanhada de sinais de hipovolemia. A avaliação inicial foca na estabilização hemodinâmica com ressuscitação volêmica agressiva, geralmente com cristaloides, e transfusão sanguínea se necessário. A história clínica, incluindo uso de AINEs ou história de doença hepática, é fundamental. A endoscopia digestiva alta é o método diagnóstico e terapêutico de escolha, devendo ser realizada precocemente após a estabilização. O tratamento farmacológico com inibidores de bomba de prótons (IBP) é um pilar no manejo da HDA não varicosa, reduzindo o risco de ressangramento e mortalidade. O balão de Sengstaken-Blakemore é reservado para HDA varicosa refratária ao tratamento endoscópico e farmacológico. A estratificação de risco (escalas como Rockall ou Blatchford) auxilia na decisão terapêutica e prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de hemorragia digestiva alta?

Os principais sinais incluem hematêmese (vômito com sangue), melena (fezes escuras e pastosas, 'borra de café') e, em casos graves, sinais de choque como taquicardia, hipotensão e palidez, refletindo a perda volêmica.

Qual o papel dos inibidores de bomba de prótons (IBP) na hemorragia digestiva alta?

Os IBP são cruciais para reduzir a acidez gástrica, promovendo a estabilização do coágulo e diminuindo o risco de ressangramento, especialmente em úlceras pépticas. São administrados por via intravenosa em altas doses nas fases agudas.

Quando a cirurgia é indicada em casos de úlcera gástrica sangrante?

A cirurgia é geralmente indicada após falha de duas tentativas de tratamento endoscópico, sangramento maciço e incontrolável, ou instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação e endoscopia, quando a vida do paciente está em risco.

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