UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020
Um homem de 60 anos, alcoólatra habitual há mais de 30 anos, sofreu agudamente de vômitos volumosos com sangue vivo (hematêmese franca), foi admitido na urgência de hospital geral com PA: 100/60 mmHg, pulso 129 bpm, pele fria, mas consciente e orientado, anictérico e acianótico. Abdome distendido sem sinais de peritonite com ascite de médio volume, esplenomegalia, no hemograma mostrou hematócrito de 27%, na passagem da sonda nasogástrica se aspirou 300 ml de sangue vivo. Após ser encaminhado à UTI, e todos os protocolos de monitorização e reposições iniciais, esse paciente deve ser submetido a:
HDA em cirrótico com choque → Estabilização + EDA de urgência para diagnóstico e tratamento.
Em pacientes com cirrose e suspeita de hemorragia digestiva alta (HDA) por varizes esofágicas, a estabilização hemodinâmica é a prioridade inicial, seguida pela realização de uma vídeo endoscopia digestiva alta (EDA) de urgência. A EDA permite confirmar o diagnóstico, identificar a fonte do sangramento e realizar intervenções terapêuticas como a ligadura elástica ou escleroterapia.
A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma emergência médica comum, com alta morbimortalidade, especialmente em pacientes com comorbidades como cirrose hepática e alcoolismo crônico. A hematêmese volumosa, como descrita no caso, é um sinal de sangramento ativo e grave, frequentemente associado a varizes esofágicas em pacientes com hipertensão portal. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para o prognóstico. A fisiopatologia da HDA em cirróticos está ligada à hipertensão portal, que leva à formação de varizes esofágicas e gástricas. A ruptura dessas varizes causa sangramentos maciços. O diagnóstico inicial é clínico, baseado nos sintomas e sinais de choque hipovolêmico. Após a estabilização hemodinâmica, a vídeo endoscopia digestiva alta (EDA) é o pilar do diagnóstico e tratamento. Ela deve ser realizada precocemente para identificar a fonte do sangramento e aplicar terapias endoscópicas como ligadura elástica ou escleroterapia, que são eficazes no controle do sangramento varicoso. O tratamento da HDA por varizes esofágicas envolve, além da EDA, o uso de drogas vasoativas (terlipressina, octreotide) para reduzir a pressão portal e antibióticos profiláticos para prevenir infecções bacterianas, que são comuns e aumentam a mortalidade. O prognóstico depende da gravidade do sangramento, da função hepática do paciente e da rapidez e eficácia do tratamento. Pontos de atenção incluem a necessidade de ressuscitação volêmica agressiva, mas cuidadosa para evitar sobrecarga, e a consideração de tamponamento com balão (Sengstaken-Blakemore) em casos de sangramento refratário à terapia endoscópica, como medida temporária antes de outras intervenções.
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica, que inclui acesso venoso calibroso, reposição volêmica com cristaloides e/ou hemoderivados, proteção de via aérea se necessário, e monitorização contínua. Após a estabilização, a investigação da causa do sangramento é prioritária.
A vídeo endoscopia digestiva alta (EDA) é o método diagnóstico e terapêutico de escolha para a HDA. Ela permite identificar a causa do sangramento (como varizes esofágicas, úlceras pépticas), avaliar o risco de ressangramento e realizar intervenções como ligadura elástica, escleroterapia ou hemostasia com clipes, controlando o sangramento.
Em alcoólatras crônicos, as principais causas de HDA incluem varizes esofágicas (devido à hipertensão portal secundária à cirrose hepática), gastropatia hipertensiva portal, úlceras pépticas (associadas ao uso de álcool e AINEs), e Síndrome de Mallory-Weiss (lacerações na junção gastroesofágica por vômitos intensos).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo