Hemorragia Digestiva Alta: Conduta em Paciente Estável

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

MJS, 52 anos, sexo feminino, procura a UPA com história de dor em epigástrio há 4 dias, de caráter constante e intensidade moderada, associada a vômitos há 1 dia. Refere 4 episódios, inicialmente com restos alimentares, mas relato de raios de sangue no último episódio. Exame físico e sinais vitais sem alterações. Realizou exames de sangue que evidenciaram um Hb 13 g/dL, Ht 39% e função renal normal. Sobre o caso em questão, qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Encaminhar para serviço que tenha endoscopia com urgência.
  2. B) Fazer sintomáticos, solicitar EDA ambulatorial e realizar tratamento com IBP. 
  3. C) Encaminhar para serviço de cirurgia geral, com urgência.
  4. D) Iniciar terlipressina e fazer reserva sanguínea
  5. E) Expansão volêmica vigorosa, pois a paciente está desidratada.

Pérola Clínica

Dor epigástrica + vômitos com raios de sangue + Hb estável → HDA leve/moderada, EDA ambulatorial e IBP.

Resumo-Chave

Paciente com dor epigástrica e vômitos com raios de sangue sugere hemorragia digestiva alta. No entanto, com sinais vitais estáveis, Hb normal e função renal preservada, a urgência é menor, permitindo uma endoscopia digestiva alta (EDA) ambulatorial e início de IBP, sem necessidade de medidas invasivas ou de urgência extrema.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma condição comum e potencialmente grave, mas sua abordagem depende diretamente da estabilidade hemodinâmica do paciente. A apresentação clínica pode variar desde sangramentos ocultos até hematêmese maciça e choque hipovolêmico. É crucial que o residente saiba diferenciar as situações de emergência das que permitem uma abordagem mais eletiva. Neste caso, a paciente apresenta dor epigástrica e vômitos com "raios de sangue", sugerindo HDA. Contudo, seus sinais vitais estão sem alterações, a hemoglobina é normal (13 g/dL) e a função renal preservada. Isso indica que a paciente está hemodinamicamente estável e não há evidências de sangramento ativo vultoso ou descompensação. Portanto, medidas de ressuscitação agressivas ou encaminhamento para cirurgia de urgência são desnecessárias. A conduta mais adequada para um paciente estável com suspeita de HDA é a solicitação de uma endoscopia digestiva alta (EDA) ambulatorial para diagnóstico e tratamento, se necessário, e o início de um inibidor de bomba de prótons (IBP) para reduzir a acidez gástrica e estabilizar o coágulo. A terlipressina é reservada para sangramento varicoso, e a expansão volêmica vigorosa seria indicada apenas em casos de desidratação significativa ou choque, o que não é o caso aqui.

Perguntas Frequentes

Quais sinais indicam que uma hemorragia digestiva alta não é uma emergência imediata?

Sinais vitais estáveis, ausência de sinais de choque (taquicardia, hipotensão, palidez), hemoglobina e hematócrito dentro da normalidade ou com queda discreta, e ausência de sangramento ativo vultoso (como hematêmese volumosa ou melena).

Qual o papel da endoscopia digestiva alta (EDA) no manejo da HDA?

A EDA é o principal método diagnóstico e terapêutico para HDA. Ela permite identificar a causa do sangramento, realizar hemostasia (se necessário) e guiar o tratamento subsequente. Em pacientes estáveis, pode ser agendada ambulatorialmente.

Por que o IBP é indicado em casos de HDA, mesmo antes da EDA?

Os inibidores de bomba de prótons (IBP) reduzem a acidez gástrica, o que favorece a formação e estabilização do coágulo, diminuindo o risco de ressangramento e melhorando o prognóstico, especialmente em úlceras pépticas.

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