Hemorragia Digestiva Alta: Conduta Pós-Hemostasia Endoscópica

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 65 anos, é encaminhada para a emergência do hospital com quadro de hemorragia digestiva. Ela não apresenta comorbidades. Após ressuscitação hídrica e monitorização hemodinâmica, a paciente se mantém estável e a dosagem de hemoglobina sérica da paciente é de 10,5 mg/dl. Em seguida é realizada uma endoscopia digestiva alta que mostra uma úlcera duodenal de 0,8 cm com sangramento ativo. O endoscopista realiza hemostasia com uso de hemoclipes e adrenalina e relata que obteve sucesso com a hemostasia. Assinale a alternativa correta sobre a conduta a seguir para a paciente:

Alternativas

  1. A) Alta com omeprazol 40 mg via oral de 12/12 horas por quatro semanas
  2. B) Observação em UTI com dosagem seriada da hemoglobina e IBP endovenoso
  3. C) Arteriografia e embolização da artéria gastroduodenal e observação em UTI
  4. D) Cirurgia com realização de vagotomia e piloroplastia e pós-operatório em enfermaria.

Pérola Clínica

HDA com hemostasia endoscópica bem-sucedida → monitorização em UTI/semi-intensiva + IBP EV para prevenir ressangramento.

Resumo-Chave

Mesmo após hemostasia endoscópica bem-sucedida de uma úlcera duodenal sangrante, o risco de ressangramento é significativo. A conduta inicial deve incluir observação em ambiente de maior vigilância (UTI ou unidade de terapia semi-intensiva) com monitorização seriada da hemoglobina e manutenção de inibidor de bomba de prótons por via endovenosa para otimizar a cicatrização e reduzir o risco de novo sangramento.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) por úlcera péptica é uma emergência comum, com alta morbimortalidade. A estabilização hemodinâmica inicial é prioritária, seguida pela endoscopia digestiva alta para diagnóstico e tratamento. A hemostasia endoscópica, seja por injeção de adrenalina, clipagem ou coagulação, é altamente eficaz na maioria dos casos. No entanto, o sucesso inicial não elimina o risco de ressangramento, que é uma das principais preocupações no manejo pós-procedimento. Após a hemostasia, a conduta visa prevenir o ressangramento e otimizar a recuperação. A monitorização contínua em um ambiente de cuidados intensivos ou semi-intensivos é fundamental, permitindo a detecção precoce de qualquer sinal de deterioração ou novo sangramento. A terapia com inibidores de bomba de prótons (IBP) em altas doses, preferencialmente por via endovenosa, é um pilar do tratamento, pois a supressão ácida gástrica promove a estabilização do coágulo e a cicatrização da úlcera. É crucial que residentes e estudantes compreendam que a alta precoce sem monitorização adequada e terapia otimizada aumenta o risco de complicações graves. A decisão de alta deve ser baseada na estabilidade clínica prolongada, ausência de sinais de ressangramento e transição para IBP oral em dose apropriada, geralmente após 48-72 horas de observação. A falha em seguir essas diretrizes pode levar a desfechos adversos e é um ponto frequentemente abordado em questões de residência.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da monitorização em UTI após hemostasia endoscópica de HDA?

A monitorização em UTI ou unidade semi-intensiva é crucial devido ao risco de ressangramento, que pode ocorrer nas primeiras 72 horas. Permite detecção precoce de instabilidade hemodinâmica e intervenção rápida, melhorando o prognóstico do paciente.

Por que o IBP endovenoso é preferido no pós-hemostasia de HDA?

O IBP endovenoso em altas doses mantém o pH gástrico elevado de forma mais consistente, o que favorece a formação e estabilização do coágulo, reduzindo significativamente o risco de ressangramento. A via oral pode ter absorção variável e não atingir o mesmo nível de supressão ácida inicial.

Quando considerar arteriografia ou cirurgia em casos de HDA por úlcera?

Arteriografia com embolização ou cirurgia são indicadas em casos de falha da hemostasia endoscópica (sangramento refratário), ressangramento após sucesso endoscópico ou quando o paciente apresenta instabilidade hemodinâmica persistente apesar das medidas iniciais e endoscopia. São opções de resgate.

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