FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023
Mulher de 65 anos, é encaminhada para a emergência do hospital com quadro de hemorragia digestiva. Ela não apresenta comorbidades. Após ressuscitação hídrica e monitorização hemodinâmica, a paciente se mantém estável e a dosagem de hemoglobina sérica da paciente é de 10,5 mg/dl. Em seguida é realizada uma endoscopia digestiva alta que mostra uma úlcera duodenal de 0,8 cm com sangramento ativo. O endoscopista realiza hemostasia com uso de hemoclipes e adrenalina e relata que obteve sucesso com a hemostasia. Assinale a alternativa correta sobre a conduta a seguir para a paciente:
HDA com hemostasia endoscópica bem-sucedida → monitorização em UTI/semi-intensiva + IBP EV para prevenir ressangramento.
Mesmo após hemostasia endoscópica bem-sucedida de uma úlcera duodenal sangrante, o risco de ressangramento é significativo. A conduta inicial deve incluir observação em ambiente de maior vigilância (UTI ou unidade de terapia semi-intensiva) com monitorização seriada da hemoglobina e manutenção de inibidor de bomba de prótons por via endovenosa para otimizar a cicatrização e reduzir o risco de novo sangramento.
A hemorragia digestiva alta (HDA) por úlcera péptica é uma emergência comum, com alta morbimortalidade. A estabilização hemodinâmica inicial é prioritária, seguida pela endoscopia digestiva alta para diagnóstico e tratamento. A hemostasia endoscópica, seja por injeção de adrenalina, clipagem ou coagulação, é altamente eficaz na maioria dos casos. No entanto, o sucesso inicial não elimina o risco de ressangramento, que é uma das principais preocupações no manejo pós-procedimento. Após a hemostasia, a conduta visa prevenir o ressangramento e otimizar a recuperação. A monitorização contínua em um ambiente de cuidados intensivos ou semi-intensivos é fundamental, permitindo a detecção precoce de qualquer sinal de deterioração ou novo sangramento. A terapia com inibidores de bomba de prótons (IBP) em altas doses, preferencialmente por via endovenosa, é um pilar do tratamento, pois a supressão ácida gástrica promove a estabilização do coágulo e a cicatrização da úlcera. É crucial que residentes e estudantes compreendam que a alta precoce sem monitorização adequada e terapia otimizada aumenta o risco de complicações graves. A decisão de alta deve ser baseada na estabilidade clínica prolongada, ausência de sinais de ressangramento e transição para IBP oral em dose apropriada, geralmente após 48-72 horas de observação. A falha em seguir essas diretrizes pode levar a desfechos adversos e é um ponto frequentemente abordado em questões de residência.
A monitorização em UTI ou unidade semi-intensiva é crucial devido ao risco de ressangramento, que pode ocorrer nas primeiras 72 horas. Permite detecção precoce de instabilidade hemodinâmica e intervenção rápida, melhorando o prognóstico do paciente.
O IBP endovenoso em altas doses mantém o pH gástrico elevado de forma mais consistente, o que favorece a formação e estabilização do coágulo, reduzindo significativamente o risco de ressangramento. A via oral pode ter absorção variável e não atingir o mesmo nível de supressão ácida inicial.
Arteriografia com embolização ou cirurgia são indicadas em casos de falha da hemostasia endoscópica (sangramento refratário), ressangramento após sucesso endoscópico ou quando o paciente apresenta instabilidade hemodinâmica persistente apesar das medidas iniciais e endoscopia. São opções de resgate.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo