Hemorragia Digestiva Alta em Idosos: Manejo e Investigação

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 75 anos dá entrada no Pronto Socorro com quadro de perda de apetite, queda do estado geral, vômitos constantes e incoercíveis e perda de peso de 10 quilos nos últimos dois meses. Ao exame físico, paciente encontra-se emagrecido e na sua presença apresenta vômitos com sangue em pequena quantidade. À radiografia simples do abdome, dilatação do estômago, hemograma com dosagem de Hemoglobina de 7,0 g/dL Perante esse quadro, qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Transfusão sanguínea e encaminhar paciente para unidade de terapia intensiva.
  2. B) Transfusão sanguínea e encaminhar o paciente para o centro cirúrgico, pois se trata de caso cirúrgico de urgência.
  3. C) Realizar suporte clínico, solicitar Tomografia abdominal total e encaminhar paciente para a Unidade de Terapia Intensiva.
  4. D) Transfusão sanguínea, solicitar endoscopia digestiva alta e tomografia abdominal total para elucidação do caso.

Pérola Clínica

HDA grave (Hb 7,0 + vômitos sangue + instabilidade): Estabilizar (transfusão), investigar (EDA + TC abdome).

Resumo-Chave

Um paciente idoso com quadro de perda de peso, vômitos incoercíveis com sangue e anemia grave (Hb 7,0 g/dL) sugere uma hemorragia digestiva alta significativa, provavelmente crônica com agudização. A conduta inicial deve focar na estabilização hemodinâmica com transfusão sanguínea e na investigação diagnóstica urgente, que inclui endoscopia digestiva alta para identificar e tratar a fonte do sangramento, e tomografia abdominal para avaliar possíveis causas obstrutivas ou neoplásicas subjacentes.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) em pacientes idosos, especialmente com sinais de cronicidade como perda de peso e queda do estado geral, representa um desafio clínico significativo. O quadro de vômitos incoercíveis com sangue, dilatação gástrica à radiografia e anemia grave (Hemoglobina de 7,0 g/dL) aponta para uma HDA importante, que pode ser tanto a causa da anemia quanto um fator agravante de uma condição subjacente, como uma neoplasia obstrutiva. A conduta inicial deve ser sempre a estabilização hemodinâmica do paciente. A anemia grave exige transfusão sanguínea para restaurar a capacidade de transporte de oxigênio e prevenir complicações isquêmicas. Após a estabilização, a investigação diagnóstica é prioritária. A endoscopia digestiva alta (EDA) é o método padrão-ouro para identificar a fonte do sangramento e, se possível, realizar tratamento endoscópico. No entanto, o quadro de dilatação gástrica e vômitos persistentes sugere uma possível obstrução, que pode dificultar a EDA ou indicar uma patologia mais complexa. Nesse contexto, a solicitação de uma tomografia abdominal total é crucial. Ela pode revelar a presença de massas, estenoses, ou outras anormalidades anatômicas que justifiquem a obstrução e a hemorragia, orientando a conduta terapêutica subsequente, que pode incluir cirurgia. Portanto, a combinação de estabilização (transfusão) e investigação abrangente (EDA e TC) é a abordagem mais adequada para elucidar o caso e planejar o tratamento definitivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta de uma hemorragia digestiva alta grave?

Sinais de alerta de HDA grave incluem hematêmese (vômitos com sangue vivo ou em borra de café), melena (fezes escuras e pegajosas), instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), anemia significativa e sinais de choque.

Qual a importância da endoscopia digestiva alta na hemorragia digestiva?

A endoscopia digestiva alta (EDA) é o exame de escolha para diagnóstico e tratamento da HDA. Ela permite identificar a fonte do sangramento (úlcera, varizes, lesão de Mallory-Weiss, neoplasia) e realizar intervenções terapêuticas, como hemostasia endoscópica.

Quando a transfusão sanguínea é indicada em casos de hemorragia digestiva?

A transfusão sanguínea é indicada para pacientes com hemorragia digestiva que apresentam instabilidade hemodinâmica, sinais de choque, ou anemia grave (Hb < 7 g/dL, ou < 8-9 g/dL em pacientes com comorbidades cardiovasculares ou idosos) para otimizar a capacidade de transporte de oxigênio.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo