Hemorragia Digestiva Alta por AINE: Manejo e Urgência da EDA

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2021

Enunciado

Homem de 46 anos faz uso de anti-inflamatório não esteroide há seis meses, devido à lesão no menisco medial do joelho direito. Há um mês começou a apresentar dor epigástrica tipo fome nos intervalos das refeições que melhorava com uso de pastilhas antiácidas. Por várias vezes acordou com a dor e ingeria leite para alívio. Há três horas apresentou episódio de melena e tontura. Qual das afirmações abaixo NÃO é verdadeira quanto ao caso?

Alternativas

  1. A) Há indicação para uma endoscopia digestiva alta.
  2. B) O uso prévio de misoprostol poderia ter evitado esta evolução desfavorável.
  3. C) O diagnóstico mais provável é de úlcera duodenal.
  4. D) Antibióticos para Helicobacter pylori devem ser prontamente instituídos.

Pérola Clínica

Melena + dor epigástrica + uso AINE → HDA por úlcera péptica. EDA é essencial, não apenas indicada.

Resumo-Chave

O paciente apresenta quadro clássico de úlcera péptica complicada por hemorragia digestiva alta (melena e tontura), provavelmente induzida pelo uso crônico de AINEs. A endoscopia digestiva alta é o padrão-ouro para diagnóstico e tratamento da HDA não varicosa, sendo uma conduta urgente e não apenas uma 'indicação'.

Contexto Educacional

A úlcera péptica é uma lesão da mucosa gastrointestinal que se estende além da muscular da mucosa, e sua etiologia mais comum envolve a infecção por Helicobacter pylori e o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Pacientes em uso crônico de AINEs, como no caso apresentado, têm um risco significativamente aumentado de desenvolver úlceras e suas complicações, incluindo hemorragia digestiva alta (HDA), perfuração e obstrução. A dor epigástrica tipo fome, que melhora com antiácidos e piora nos intervalos das refeições, é um sintoma clássico de úlcera duodenal. A melena e a tontura no cenário clínico descrito são sinais de HDA, indicando um sangramento ativo ou recente que requer atenção médica urgente. A tontura sugere instabilidade hemodinâmica devido à perda volêmica. Nesses casos, a endoscopia digestiva alta (EDA) não é apenas uma 'indicação', mas sim o procedimento diagnóstico e terapêutico de escolha e de caráter urgente para identificar a fonte do sangramento, avaliar o risco de ressangramento e realizar intervenções hemostáticas, se necessário. Para residentes, é vital reconhecer a gravidade da HDA e a necessidade de uma abordagem rápida e eficaz. A profilaxia com misoprostol ou inibidores da bomba de prótons (IBP) pode ser considerada em pacientes de alto risco que necessitam de AINEs. Além disso, a erradicação do H. pylori é fundamental no manejo da úlcera péptica, mas a prioridade inicial em um quadro de HDA é a estabilização hemodinâmica e a hemostasia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para hemorragia digestiva alta em pacientes com úlcera péptica?

Os sinais de alerta incluem melena (fezes escuras e pastosas), hematêmese (vômito com sangue), tontura, palidez, taquicardia e hipotensão, indicando perda volêmica significativa. A dor epigástrica pode preceder esses sintomas.

Por que o uso de AINEs aumenta o risco de úlcera péptica e hemorragia?

Os AINEs inibem a ciclooxigenase (COX), reduzindo a produção de prostaglandinas, que são protetoras da mucosa gástrica e duodenal. Essa inibição compromete a barreira mucosa, a secreção de muco e bicarbonato, e o fluxo sanguíneo, tornando a mucosa vulnerável à lesão e ulceração.

Qual o papel da endoscopia digestiva alta no manejo da hemorragia digestiva?

A endoscopia digestiva alta é crucial para diagnosticar a causa da hemorragia, localizar a lesão e, em muitos casos, realizar tratamento endoscópico (hemostasia) para controlar o sangramento. É um procedimento de urgência em pacientes com HDA ativa ou recente.

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