Hemorragia Digestiva Alta: Manejo e Eritromicina pré-EDA

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 54 anos, sem comorbidades prévias, é admitido em serviço de emergência com histórico de 2 episódios hematêmese franca há 3 horas. No momento encontra-se estável hemodinamicamente, com Frequência Cardíaca de 82bpm e Pressão Arterial de 110x72 mmHg. Sobre o manejo desse paciente, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O uso de inibidores de bomba de prótons é recomendado, sendo que a infusão por meio de bomba infusora é superior ao uso intermitente.
  2. B) A infusão de eritromicina 20 a 90 minutos antes da realização da endoscopia é recomendada, uma vez que facilita a visualização da mucosa gástrica durante o procedimento.
  3. C) A endoscopia deve ser realizada em até 6 horas, uma vez que sua realização precoce esteve associada à menor mortalidade.
  4. D) Nos casos em que não está disponível a endoscopia, deve-se realizar um estudo contrastado com Bário para afastar a possibilidade de tumores gástricos.
  5. E) O uso de ácido tranexamico está indicado, uma vez que reduz a incidência de ressangramento e de necessidade de transfusão, sem aumentar o risco de fenômenos trombóticos.

Pérola Clínica

HDA com hematêmese → Eritromicina pré-endoscopia melhora visualização e reduz necessidade de segunda EDA.

Resumo-Chave

Em casos de hemorragia digestiva alta (HDA) com hematêmese, a infusão de eritromicina (um agente procinético) 20 a 90 minutos antes da endoscopia digestiva alta (EDA) é recomendada. Isso facilita o esvaziamento gástrico, removendo coágulos e sangue, o que melhora significativamente a visibilidade da mucosa e a acurácia diagnóstica e terapêutica da EDA.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma emergência médica comum, definida como sangramento que ocorre proximal ao ligamento de Treitz. As principais causas incluem úlceras pépticas, varizes esofágicas, esofagite e síndrome de Mallory-Weiss. A importância clínica reside na sua alta morbidade e mortalidade se não for prontamente diagnosticada e tratada, sendo crucial a estabilização hemodinâmica inicial. O manejo inicial de um paciente com HDA envolve a avaliação e estabilização hemodinâmica, com acesso venoso calibroso, reposição volêmica e, se necessário, transfusão sanguínea. Após a estabilização, a endoscopia digestiva alta (EDA) é o pilar diagnóstico e terapêutico. A fisiopatologia do sangramento varia conforme a causa, mas o objetivo é identificar a fonte e realizar hemostasia. Para otimizar a EDA, a administração de agentes procinéticos como a eritromicina (250 mg IV, 20-90 minutos antes do procedimento) é recomendada. A eritromicina estimula a motilidade gástrica, promovendo o esvaziamento de coágulos e sangue, o que melhora a visibilidade da mucosa e a taxa de sucesso da endoscopia. O uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) também é fundamental para reduzir o risco de ressangramento, embora a superioridade da infusão contínua sobre a intermitente seja debatida em alguns cenários.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da eritromicina no manejo da hemorragia digestiva alta?

A eritromicina, um agente procinético, é administrada antes da endoscopia para promover o esvaziamento gástrico, removendo sangue e coágulos. Isso melhora a visualização da mucosa e a eficácia do procedimento, reduzindo a necessidade de uma segunda endoscopia.

Quando a endoscopia digestiva alta deve ser realizada em casos de HDA?

A endoscopia deve ser realizada precocemente (geralmente em 12-24 horas) após a estabilização hemodinâmica. Em pacientes de alto risco, pode ser considerada mais cedo, mas não há evidência de benefício em realizar em menos de 6 horas para todos os pacientes.

O uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) é sempre por infusão contínua na HDA?

Embora a infusão contínua de IBP seja frequentemente usada, estudos mostram que, após o bolus inicial, a infusão intermitente pode ser tão eficaz quanto a contínua na prevenção de ressangramento, especialmente em pacientes de baixo risco ou após hemostasia endoscópica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo