Manejo Inicial da Hemorragia Digestiva Alta (HDA)

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Sobre a hemorragia digestiva alta, qual das alternativas é correta?

Alternativas

  1. A) O tratamento inicial inclui a administração de inibidores de bomba de prótons intravenosos e, se necessário, reposição volêmica com solução salina ou Ringer lactato.
  2. B) Pacientes com hemorragia digestiva alta devem ser tratados com transfusão sanguínea profilática para evitar anemia e choque hipovolêmico.
  3. C) A endoscopia digestiva alta é realizada apenas em casos de hemorragia grave, pois o procedimento aumenta o risco de complicações em pacientes instáveis.
  4. D) Em casos de hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas, a terapia com beta bloqueadores é a única indicada para controle imediato do sangramento.

Pérola Clínica

HDA → Estabilização hemodinâmica (cristaloides) + IBP IV + EDA precoce (24h).

Resumo-Chave

O manejo inicial da HDA prioriza a estabilização hemodinâmica com cristaloides e a supressão ácida com IBP, preparando o paciente para a terapia endoscópica definitiva.

Contexto Educacional

A Hemorragia Digestiva Alta (HDA) é uma das emergências gastroenterológicas mais comuns, com alta morbimortalidade. O manejo inicial é focado na tríade: proteção de via aérea (se necessário), ressuscitação volêmica criteriosa e terapia farmacológica adjuvante. A diferenciação entre causas varicosas e não varicosas é fundamental, mas as medidas iniciais de suporte são universais. A endoscopia digestiva alta (EDA) deve ser realizada idealmente dentro de 24 horas após a admissão, após a estabilização hemodinâmica. Em casos de suspeita de sangramento varicoso, a introdução precoce de drogas vasoativas (como terlipressina ou octreotide) e antibioticoterapia profilática é mandatória. O sucesso no tratamento depende da rapidez na estabilização e da precisão da intervenção endoscópica.

Perguntas Frequentes

Qual o papel dos IBPs na hemorragia digestiva alta?

Os inibidores de bomba de prótons (IBPs) desempenham um papel crucial no manejo da HDA, especialmente naquelas de etiologia não varicosa, como a úlcera péptica. A manutenção de um pH intragástrico acima de 6,0 é essencial para a estabilização do coágulo, pois a agregação plaquetária e a cascata de coagulação são inibidas em ambientes ácidos, e a pepsina pode dissolver coágulos já formados. O uso de IBP em altas doses (bolus seguido de infusão contínua ou doses intermitentes) antes da endoscopia pode reduzir a necessidade de terapia endoscópica e diminuir os estigmas de sangramento de alto risco, embora não substitua a necessidade do procedimento endoscópico para controle definitivo.

Como deve ser feita a reposição volêmica na HDA?

A reposição volêmica deve ser iniciada imediatamente em pacientes com sinais de instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão). O objetivo é restaurar a perfusão tecidual utilizando soluções cristaloides, como Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato. Deve-se ter cautela para evitar a hiper-hidratação, especialmente em pacientes com cirrose e varizes esofágicas, pois o aumento excessivo da pressão venosa central pode elevar a pressão portal e precipitar ou agravar o sangramento varicoso. A monitorização da diurese e dos sinais vitais orienta a agressividade da reposição, buscando metas hemodinâmicas conservadoras até que o sangramento seja controlado.

Quando indicar transfusão de sangue na HDA?

Atualmente, as diretrizes recomendam uma estratégia de transfusão restritiva para a maioria dos pacientes com HDA aguda. A transfusão de concentrado de hemácias é indicada quando a hemoglobina (Hb) atinge valores inferiores a 7 g/dL, com o objetivo de manter a Hb entre 7 e 9 g/dL. Estudos demonstraram que essa abordagem reduz a mortalidade e o risco de ressangramento em comparação com a estratégia liberal (alvo Hb > 9-10 g/dL). Exceções incluem pacientes com sangramento maciço exanguinante ou aqueles com comorbidades cardiovasculares graves (como doença arterial coronariana instável), onde limiares de Hb mais altos podem ser necessários para garantir a oferta de oxigênio miocárdico.

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