Hemorragia Digestiva Alta: Diagnóstico e Manejo Inicial

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026

Enunciado

Um paciente de 45 anos, com histórico de uso crônico de Anti-Inflamatórios Não Esteroides (AINEs), apresenta hematêmese e dor epigástrica. Ao exame físico, o paciente encontra-se estável hemodinamicamente, com pressão arterial de 130/80 mmHg e frequência cardíaca de 78 bpm. A endoscopia digestiva alta revela uma úlcera gástrica com sinais de sangramento recente. Sobre o caso acima e hemorragia digestiva alta, correto afirmar que: I. A hematêmese é indicativa de sangramento o trato gastrointestinal alto. II. O uso crônico de AINEs está relacionado ao desenvolvimento de úlceras pépticas, que podem causar hemorragia digestiva. III. O tratamento inicial de um paciente com sangramento digestivo é a estabilização hemodinâmica. IV. A presença de melena é mais frequente em hemorragias do trato gastrointestinal inferior. V. A úlcera gástrica é uma causa incomum de hemorragia digestiva alta. Está correto apenas o que se afirma em:

Alternativas

  1. A) I, II e III.
  2. B) I, III e IV.
  3. C) II, III e V.
  4. D) I, IV e V.
  5. E) I, II, III e IV.

Pérola Clínica

HDA → Hematêmese + Melena; Conduta inicial = Estabilização hemodinâmica (ABC).

Resumo-Chave

A hemorragia digestiva alta manifesta-se tipicamente com hematêmese. O uso de AINEs é o principal fator de risco para úlceras pépticas, que são a causa mais comum de sangramento alto.

Contexto Educacional

A Hemorragia Digestiva Alta (HDA) permanece como uma emergência médica comum, com a doença ulcerosa péptica sendo a etiologia predominante. O uso disseminado de AINEs e a infecção por H. pylori são os pilares fisiopatológicos. Clinicamente, a apresentação varia de sangramentos ocultos a quadros de choque hipovolêmico. A avaliação da gravidade deve ser feita por escores como Glasgow-Blatchford ou Rockall. O tratamento envolve a suspensão de agentes agressores, uso de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) em altas doses e intervenção endoscópica para controle do foco de sangramento.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença clínica entre hematêmese e melena?

A hematêmese é o vômito de sangue vivo ou em 'borra de café', indicando sangramento proximal ao ângulo de Treitz (HDA). A melena é a eliminação de fezes negras, fétidas e pastosas, resultante da digestão da hemoglobina por bactérias intestinais. Embora a melena ocorra frequentemente na HDA, ela também pode originar-se de sangramentos no intestino delgado ou cólon ascendente, onde o trânsito é lento o suficiente para a degradação do sangue.

Como os AINEs causam úlceras gástricas?

Os Anti-Inflamatórios Não Esteroides (AINEs) inibem a enzima ciclo-oxigenase (COX), reduzindo a síntese de prostaglandinas. As prostaglandinas são essenciais para a proteção da mucosa gástrica, pois estimulam a secreção de muco e bicarbonato e mantêm o fluxo sanguíneo local. Sem essa barreira protetora, o ácido gástrico e a pepsina causam lesão direta ao epitélio, levando à formação de úlceras que podem erodir vasos sanguíneos e causar hemorragia.

Qual o primeiro passo no atendimento da HDA?

O manejo inicial de qualquer paciente com hemorragia digestiva deve focar na estabilização hemodinâmica (ABC). Isso inclui garantir a patência das vias aéreas (especialmente em hematêmese volumosa), garantir acesso venoso calibroso e iniciar a reposição volêmica com cristaloides para manter a perfusão tecidual. A endoscopia diagnóstica e terapêutica deve ser realizada após a estabilização do paciente, preferencialmente nas primeiras 24 horas.

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