Sangramento por Úlcera Péptica: Alvo de Hemoglobina na Transfusão

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2020

Enunciado

Sobre a abordagem inicial e a abordagem específica na doença ulcerosa péptica na emergência, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A reposição volêmica agressiva (> 3 litros nas primeiras 6 horas da admissão do paciente) mostrou-se benéfica e reduziu os riscos de sangramento.
  2. B) Em pacientes com baixo risco de sangramento recorrente no PS, em paciente com alto risco cardiovascular, a aspirina só pode ser retomada 7 dias após o sangramento.
  3. C) Em pacientes que necessitam de hemotransfusão, o objetivo é manter os níveis de HB por volta de 7 g/dL, pois alvos maiores de Hb são associados com risco de piora de sangramento e devem ser evitados. 
  4. D) Pacientes com sinais de choque hipovolêmico e que são coronariopatas devem ser hemotransfundidos até estabilização hemodinâmica, com alvo de Hb de 12 g/dL.
  5. E) Pacientes que apresentam alterações hemodinâmicas ortostáticas (queda da pressão sistólica maior que 20 mmHg e elevado de mais de 20 batimentos) devem ser submetidos à hemotransfusão imediata.

Pérola Clínica

Sangramento GI alto → Transfusão restritiva (Hb alvo ~7 g/dL) para evitar piora do sangramento.

Resumo-Chave

Na hemorragia digestiva alta por doença ulcerosa péptica, a estratégia de transfusão sanguínea restritiva, com um alvo de hemoglobina de aproximadamente 7 g/dL, é geralmente preferida. Alvos mais altos de hemoglobina podem aumentar a pressão portal e o risco de ressangramento, exceto em pacientes com comorbidades específicas como doença coronariana grave.

Contexto Educacional

A doença ulcerosa péptica é uma causa comum de hemorragia digestiva alta (HDA) na emergência, representando uma condição grave que pode levar a choque hipovolêmico e morte. A abordagem inicial envolve a estabilização hemodinâmica do paciente, com acesso venoso calibroso e reposição volêmica agressiva, se necessário, seguida de avaliação da necessidade de transfusão sanguínea. A fisiopatologia do sangramento por úlcera péptica envolve a erosão de vasos sanguíneos na base da úlcera. O diagnóstico é confirmado por endoscopia digestiva alta, que também permite a hemostasia. A decisão de transfundir e o alvo de hemoglobina são cruciais. Estudos recentes têm demonstrado que uma estratégia de transfusão restritiva, mantendo a hemoglobina em torno de 7 g/dL, é tão eficaz quanto, ou até superior, a uma estratégia liberal, com menor risco de complicações e ressangramento. Exceções a essa regra incluem pacientes com doença coronariana ativa ou isquemia miocárdica, onde um alvo de hemoglobina ligeiramente mais alto pode ser considerado para garantir a oxigenação tecidual adequada. A reposição volêmica deve ser cuidadosa para evitar sobrecarga e não deve ser excessivamente agressiva (> 3 litros nas primeiras 6 horas) sem indicação clara, pois isso pode diluir fatores de coagulação e aumentar a pressão hidrostática, piorando o sangramento.

Perguntas Frequentes

Qual o alvo de hemoglobina recomendado na transfusão para sangramento GI alto?

O alvo de hemoglobina recomendado para a maioria dos pacientes com sangramento gastrointestinal alto é de aproximadamente 7 g/dL, seguindo uma estratégia de transfusão restritiva.

Por que alvos de hemoglobina mais altos podem ser prejudiciais?

Alvos de hemoglobina mais altos podem aumentar a pressão portal e o risco de ressangramento, além de associar-se a maior morbidade em alguns estudos.

Quando um alvo de hemoglobina mais alto é considerado?

Em pacientes com comorbidades graves, como doença coronariana ativa ou isquemia miocárdica, um alvo de hemoglobina ligeiramente mais alto (8-9 g/dL) pode ser considerado, mas ainda com cautela.

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