Hematêmese por Varizes Esofágicas: Manejo do Choque Grave

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2022

Enunciado

J.C.P, 60 anos, etilista, dá entrada no pronto atendimento apresentando hematêmese de grande monta. Acompanha no ambulatório de gastroenterologia devido cirrose hepática e nega episódio prévio de sangramento. Faz uso de propranolol 40mg de 12/12 horas. PA = 70/40mmHg, FC = 130bpm, FR = 20irpm, SpO2 = 95%. Qual é a melhor conduta no momento?

Alternativas

  1. A) Infusão venosa de nitroglicerina
  2. B) Inserção de balão de Sengstaken-Blakemore
  3. C) Administração de propranolol
  4. D) Realização de endoscopia digestiva alta imediatamente

Pérola Clínica

Hematêmese maciça + cirrose + choque hipovolêmico → Tamponamento com balão de Sengstaken-Blakemore (medida temporária).

Resumo-Chave

O paciente apresenta hematêmese de grande monta, cirrose hepática e sinais de choque hipovolêmico grave (PA 70/40, FC 130). Embora a endoscopia digestiva alta seja o tratamento definitivo, a instabilidade hemodinâmica severa exige uma medida de controle do sangramento mais rápida e temporária, como o balão de Sengstaken-Blakemore, enquanto a ressuscitação e a preparação para a endoscopia são realizadas.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas é uma complicação grave da cirrose hepática, associada a alta morbimortalidade. Pacientes com cirrose e sangramento varicoso frequentemente apresentam coagulopatia e instabilidade hemodinâmica, exigindo uma abordagem rápida e coordenada. A presença de hematêmese de grande monta, associada a sinais de choque (PA 70/40mmHg, FC 130bpm), indica uma emergência médica que requer intervenção imediata. A conduta inicial para pacientes com sangramento varicoso e choque hipovolêmico inclui a estabilização hemodinâmica com ressuscitação volêmica (cristaloides e hemoderivados), proteção da via aérea (intubação se necessário) e início de drogas vasoativas (terlipressina ou octreotide) para reduzir o fluxo sanguíneo esplâncnico. Embora a endoscopia digestiva alta com ligadura elástica seja o tratamento definitivo, em casos de sangramento maciço e instabilidade hemodinâmica refratária, o tamponamento com balão de Sengstaken-Blakemore é uma medida de resgate temporária para controlar o sangramento enquanto o paciente é estabilizado para a endoscopia ou outras intervenções. A inserção do balão de Sengstaken-Blakemore é um procedimento de emergência que deve ser realizado por equipe experiente, pois apresenta riscos significativos, como aspiração e necrose esofágica. É uma ponte para o tratamento endoscópico ou cirúrgico, e o balão não deve permanecer inflado por mais de 24 horas. A administração de antibióticos profiláticos também é recomendada devido ao alto risco de infecção bacteriana em cirróticos com sangramento.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial em hematêmese maciça por varizes esofágicas com choque?

A conduta inicial envolve ressuscitação volêmica agressiva, uso de drogas vasoativas (terlipressina ou octreotide), proteção de via aérea e, em casos de sangramento refratário ou instabilidade hemodinâmica grave, tamponamento com balão de Sengstaken-Blakemore como medida temporária.

Quando o balão de Sengstaken-Blakemore é indicado?

O balão de Sengstaken-Blakemore é indicado como medida temporária e de resgate em sangramentos maciços de varizes esofágicas que não respondem à terapia farmacológica inicial ou em pacientes com instabilidade hemodinâmica grave que impede a realização imediata da endoscopia.

Quais os riscos do uso do balão de Sengstaken-Blakemore?

Os riscos incluem aspiração pulmonar, necrose esofágica, ruptura esofágica e deslocamento do balão. Por isso, seu uso é temporário e requer intubação orotraqueal e monitorização intensiva.

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