Hemorragia Digestiva Aguda: Manejo da Instabilidade Hemodinâmica

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2022

Enunciado

Homem de 70 anos, hipertenso e coronariopata em uso de ácido acetilsalicílico e betabloqueador, procura o pronto-socorro por ter apresentado dor abdominal súbita, com saída de sangue vivo em grande quantidade pelo ânus 3 horas antes. Apresentou lipotimia no domicílio quando levantou para se limpar. Na admissão apresenta episódio de síncope ao levantar da cadeira de rodas para a maca da sala de observação. Após deitar, PA: 100/70 mmHg, FC 90 bpm. Selecione a conduta mais apropriada para esse paciente:

Alternativas

  1. A) Realizar hidratação venosa e indicar endoscopia ambulatorial, se hemoglobina maior ou igual a 10 g/dL.
  2. B) Realizar hidratação venosa e indicar colonoscopia ambulatorial, se hemoglobina maior ou igual a 10 g/dL.
  3. C) Internar para estabilização clínica e realização de endoscopia urgente.
  4. D) Internar para estabilização clínica e realização de colonoscopia após preparo adequado.
  5. E) Internar para investigação adicional se houver alteração na tomografia computadorizada de abdome.

Pérola Clínica

Hemorragia digestiva com instabilidade hemodinâmica → estabilização + EDA urgente para excluir fonte alta.

Resumo-Chave

Em pacientes com sangramento gastrointestinal agudo e sinais de instabilidade hemodinâmica (lipotimia, síncope, hipotensão postural ou franca), a prioridade é a estabilização clínica com fluidos intravenosos. Mesmo com sangramento vivo pelo ânus (sugestivo de HDB), uma endoscopia digestiva alta (EDA) urgente é frequentemente indicada para descartar uma fonte de sangramento do trato gastrointestinal superior que possa estar causando hematoquezia devido ao trânsito rápido e ser mais grave.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva aguda é uma emergência médica que requer avaliação e manejo rápidos, especialmente em pacientes com instabilidade hemodinâmica. A apresentação clínica pode variar desde melena (sangramento alto) até hematoquezia (sangramento baixo), mas a gravidade é determinada pelos sinais de choque e pela taxa de sangramento. Pacientes idosos e com comorbidades, como coronariopatia e uso de antiagregantes, apresentam maior risco de complicações. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica, que inclui acesso venoso calibroso, reposição volêmica agressiva com cristaloides e, se necessário, transfusão de hemoderivados. Uma vez estabilizado, a investigação da fonte do sangramento é crucial. Embora a hematoquezia sugira sangramento do trato gastrointestinal inferior, um sangramento alto maciço com trânsito rápido pode mimetizar um sangramento baixo. Por isso, em pacientes instáveis, a endoscopia digestiva alta (EDA) é frequentemente a primeira linha de investigação para descartar uma fonte superior potencialmente fatal. Se a EDA for negativa para sangramento ativo ou lesão de alto risco, a investigação prossegue para o trato gastrointestinal inferior, com colonoscopia, angiotomografia ou cintilografia, dependendo da taxa de sangramento e da estabilidade do paciente. A decisão sobre a sequência dos exames deve ser individualizada, considerando o quadro clínico, as comorbidades e a disponibilidade dos recursos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em um paciente com hemorragia digestiva?

Sinais incluem hipotensão (PA sistólica < 100 mmHg), taquicardia (> 100 bpm), síncope, lipotimia, extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do nível de consciência.

Por que a endoscopia digestiva alta é considerada em casos de hematoquezia com instabilidade?

A EDA é realizada para descartar uma fonte de sangramento do trato gastrointestinal superior. Sangramentos altos volumosos e de trânsito rápido podem causar hematoquezia, e a identificação e tratamento precoce de uma lesão alta podem ser cruciais para a estabilização do paciente.

Qual a importância da estabilização clínica antes dos procedimentos diagnósticos?

A estabilização clínica com reposição volêmica é a primeira prioridade para restaurar a perfusão tecidual e otimizar as condições do paciente para procedimentos diagnósticos e terapêuticos, reduzindo os riscos associados à hipovolemia e choque.

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