Sangramento Vaginal no 3º Trimestre: Conduta e Placenta Prévia

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Secundigesta, 36 anos, 1 parto cesárea anterior, idade gestacional de 32 semanas, vem em consulta no PS de obstetrícia, apresentando perda de sangue vermelho vivo via vaginal em pequena quantidade. Não trouxe o cartão do pré-natal, mas refere idade gestacional de 28 semanas. Refere presença de movimentos fetais. Ao exame encontra-se em bom estado geral, ativa, contactuante, eupneica, descorada +2/+4. Pressão arterial 110/70 mmHg, frequência cardíaca 98 bpm, temperatura axilar 36,7°C. Exame cardíaco e respiratório sem alterações. Abdômen: gravídico, altura uterina 30 cm, batimentos cardíacos fetais 136 bpm, dinâmica uterina ausente, tônus uterino normal. Frente à principal hipótese diagnóstica, qual a conduta inicial?

Alternativas

  1. A) Realizar exame especular para avaliar possíveis ginecopatias e toque para avaliar dilatação do colo.
  2. B) Realizar exame especular para avaliar ginecopatias e solicitar USG transvaginal para avaliar localização placentária.
  3. C) Solicitar cardiotocografia para avaliar vitalidade fetal.
  4. D) Solicitar perfil biofísico para avaliar vitalidade fetal e realizar toque vaginal para avaliar dilatação.

Pérola Clínica

Sangramento vaginal vermelho vivo em gestante > 20 sem, sem dor e útero relaxado → suspeitar placenta prévia; USG transvaginal é essencial.

Resumo-Chave

Em casos de sangramento vaginal no terceiro trimestre, sem dor abdominal ou hipertonia uterina, a principal hipótese é placenta prévia. O exame especular é seguro para afastar causas cervicais, e a USG transvaginal é crucial para localizar a placenta.

Contexto Educacional

O sangramento vaginal no terceiro trimestre é uma emergência obstétrica que requer avaliação imediata, pois pode indicar condições graves que ameaçam a vida da mãe e do feto. As principais causas incluem placenta prévia, descolamento prematuro de placenta e vasa prévia. A história clínica e o exame físico são fundamentais para direcionar a investigação. No caso apresentado, o sangramento vermelho vivo, indolor, com útero relaxado e movimentos fetais presentes, sugere fortemente placenta prévia. A conduta inicial deve priorizar a segurança da paciente. O exame especular é seguro e permite identificar possíveis causas cervicais ou vaginais de sangramento. Contudo, o toque vaginal é estritamente contraindicado antes da exclusão de placenta prévia por ultrassonografia, devido ao risco de desencadear hemorragia maciça. Após a estabilização da paciente e o diagnóstico, o manejo dependerá do tipo de placenta prévia, da idade gestacional e da quantidade de sangramento. Em muitos casos, o manejo é expectante, com repouso e monitoramento, visando prolongar a gestação. A interrupção da gravidez por cesariana é geralmente indicada em casos de sangramento intenso ou placenta prévia total.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de sangramento vaginal no terceiro trimestre?

As principais causas são placenta prévia, descolamento prematuro de placenta e vasa prévia, além de causas cervicais ou vaginais, que devem ser investigadas.

Por que o toque vaginal é contraindicado antes da USG em sangramento anteparto?

O toque vaginal é contraindicado antes da localização placentária por ultrassonografia, pois pode perfurar a placenta em caso de placenta prévia, causando hemorragia maciça e grave.

Qual a importância da ultrassonografia transvaginal na avaliação do sangramento?

A USG transvaginal é o método mais preciso para diagnosticar placenta prévia, determinando a exata relação da placenta com o orifício interno do colo uterino.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo