PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021
Na avaliação de paciente na vigência de abdome agudo cirúrgico, geralmente um dos exames solicitados é o hemograma. Dentre suas possíveis alterações, assinale a alternativa que apresenta a correlação CORRETA:
Eosinopenia → marcador de estresse orgânico agudo, comum em abdome agudo cirúrgico.
A redução dos eosinófilos (eosinopenia) no hemograma é um achado comum em condições de estresse orgânico agudo, como infecções graves, trauma, cirurgias e quadros de abdome agudo. Isso ocorre devido à liberação de corticosteroides endógenos, que promovem a sequestração e destruição dos eosinófilos.
O hemograma é um exame laboratorial de rotina e de grande valia na avaliação de pacientes com abdome agudo cirúrgico, fornecendo pistas importantes sobre a etiologia e a gravidade do quadro. No entanto, sua interpretação exige conhecimento das nuances fisiopatológicas. A leucocitose, por exemplo, é um achado frequente, mas não é exclusiva de processos infecciosos; pode ocorrer em inflamações estéreis, necrose tecidual ou como resposta ao estresse. Um achado particularmente relevante é a eosinopenia, que se caracteriza pela redução do número de eosinófilos no sangue. Este fenômeno é um marcador sensível de estresse orgânico agudo, frequentemente observado em condições como sepse, trauma, queimaduras e, claro, em quadros de abdome agudo cirúrgico. A fisiopatologia envolve a liberação de glicocorticoides endógenos, que causam a migração e destruição dos eosinófilos. Em casos de hemorragia gastrointestinal aguda, a interpretação do hematócrito deve ser cautelosa. Nas fases iniciais, o hematócrito pode não refletir a real perda sanguínea, pois a hemodiluição ainda não ocorreu. A queda significativa do hematócrito geralmente se manifesta horas após o início do sangramento ou após a reposição volêmica. Residentes devem estar atentos a essas particularidades para uma avaliação diagnóstica e terapêutica precisa no contexto do abdome agudo.
A leucocitose em abdome agudo pode ser causada por processos infecciosos (apendicite, colecistite, diverticulite), inflamatórios (pancreatite), necrose tecidual (isquemia mesentérica) ou mesmo por estresse fisiológico intenso, sem necessariamente indicar infecção bacteriana.
A eosinopenia ocorre devido à liberação de hormônios do estresse, como os glicocorticoides endógenos, em resposta a quadros agudos (infecções, inflamações, traumas). Esses hormônios promovem a migração dos eosinófilos do sangue para os tecidos, sua sequestração e/ou destruição, resultando em sua diminuição na contagem periférica.
Inicialmente, o hematócrito pode não ser um parâmetro confiável para avaliar a gravidade de um sangramento gastrointestinal agudo. Devido à perda concomitante de plasma e células, o hematócrito pode permanecer normal nas primeiras horas. A hemodiluição e a queda real do hematócrito só se tornam evidentes após a reposição volêmica ou a mobilização de fluidos intersticiais, o que leva tempo.
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