Hemograma no Abdome Agudo: Interpretação Essencial

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Na avaliação de paciente na vigência de abdome agudo cirúrgico, geralmente um dos exames solicitados é o hemograma. Dentre suas possíveis alterações, assinale a alternativa que apresenta a correlação CORRETA:

Alternativas

  1. A) A leucocitose implica necessariamente em processo infeccioso agudo ou crônico
  2. B) A redução de eosinófilos no sangue geralmente se deve a estresse orgânico
  3. C) Na hemorragia gastrointestinal aguda há redução concomitante do número de leucócitos (leucopenia)
  4. D) O hematócrito constitui parâmetro confiável na avaliação da gravidade do sangramento

Pérola Clínica

Eosinopenia → marcador de estresse orgânico agudo, comum em abdome agudo cirúrgico.

Resumo-Chave

A redução dos eosinófilos (eosinopenia) no hemograma é um achado comum em condições de estresse orgânico agudo, como infecções graves, trauma, cirurgias e quadros de abdome agudo. Isso ocorre devido à liberação de corticosteroides endógenos, que promovem a sequestração e destruição dos eosinófilos.

Contexto Educacional

O hemograma é um exame laboratorial de rotina e de grande valia na avaliação de pacientes com abdome agudo cirúrgico, fornecendo pistas importantes sobre a etiologia e a gravidade do quadro. No entanto, sua interpretação exige conhecimento das nuances fisiopatológicas. A leucocitose, por exemplo, é um achado frequente, mas não é exclusiva de processos infecciosos; pode ocorrer em inflamações estéreis, necrose tecidual ou como resposta ao estresse. Um achado particularmente relevante é a eosinopenia, que se caracteriza pela redução do número de eosinófilos no sangue. Este fenômeno é um marcador sensível de estresse orgânico agudo, frequentemente observado em condições como sepse, trauma, queimaduras e, claro, em quadros de abdome agudo cirúrgico. A fisiopatologia envolve a liberação de glicocorticoides endógenos, que causam a migração e destruição dos eosinófilos. Em casos de hemorragia gastrointestinal aguda, a interpretação do hematócrito deve ser cautelosa. Nas fases iniciais, o hematócrito pode não refletir a real perda sanguínea, pois a hemodiluição ainda não ocorreu. A queda significativa do hematócrito geralmente se manifesta horas após o início do sangramento ou após a reposição volêmica. Residentes devem estar atentos a essas particularidades para uma avaliação diagnóstica e terapêutica precisa no contexto do abdome agudo.

Perguntas Frequentes

Quais as causas de leucocitose em um paciente com abdome agudo?

A leucocitose em abdome agudo pode ser causada por processos infecciosos (apendicite, colecistite, diverticulite), inflamatórios (pancreatite), necrose tecidual (isquemia mesentérica) ou mesmo por estresse fisiológico intenso, sem necessariamente indicar infecção bacteriana.

Por que a eosinopenia é um achado comum em condições de estresse orgânico?

A eosinopenia ocorre devido à liberação de hormônios do estresse, como os glicocorticoides endógenos, em resposta a quadros agudos (infecções, inflamações, traumas). Esses hormônios promovem a migração dos eosinófilos do sangue para os tecidos, sua sequestração e/ou destruição, resultando em sua diminuição na contagem periférica.

O hematócrito é um bom indicador da gravidade de um sangramento gastrointestinal agudo?

Inicialmente, o hematócrito pode não ser um parâmetro confiável para avaliar a gravidade de um sangramento gastrointestinal agudo. Devido à perda concomitante de plasma e células, o hematócrito pode permanecer normal nas primeiras horas. A hemodiluição e a queda real do hematócrito só se tornam evidentes após a reposição volêmica ou a mobilização de fluidos intersticiais, o que leva tempo.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo