UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Homem, 35a, sem comorbidades prévias, procura o Pronto Atendimento com queixa de dor abdominal inespecífica de início agudo. Tomografia de abdome com contraste: falha de enchimento da veia porta, configurando trombose venosa aguda. Exames laboratoriais: hemoglobina = 10,0 g/dL, VCM = 98 fL, reticulócitos = 4%, bilirrubina total = 2,3 mg/dL, bilirrubina indireta = 1,9 mg/dL, bilirrubina direta = 0,4 mg/dL, LDH = 380UI/L, haptoglobina < 30 mg/dL, coombs direto = negativo. O exame confirmatório e a conduta são:
Trombose abdominal + Hemólise Coombs Negativo = HPN.
A HPN é uma doença clonal rara que predispõe a eventos trombóticos graves e hemólise intravascular crônica por deficiência de proteínas reguladoras do complemento (CD55/CD59).
A Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN) é uma doença hematológica adquirida causada por uma mutação no gene PIGA. Isso resulta na perda da âncora GPI, necessária para fixar proteínas que protegem as células contra a lise pelo sistema complemento. A tríade clássica é hemólise intravascular (Coombs negativo), citopenias e trombofilia. Eventos trombóticos, especialmente em veias abdominais (veia porta, supra-hepáticas - Síndrome de Budd-Chiari) ou cerebrais, são as principais causas de mortalidade. O tratamento envolve anticoagulação plena para o evento agudo e terapia específica com inibidores do complemento (Eculizumabe ou Ravulizumabe) para controlar a causa subjacente da ativação trombótica.
A trombose na HPN é multifatorial, envolvendo a ativação do complemento que leva à ativação plaquetária, liberação de hemoglobina livre (que consome óxido nítrico, gerando disfunção endotelial) e falta de proteínas reguladoras nas membranas das células sanguíneas.
O diagnóstico é confirmado pela citometria de fluxo em sangue periférico, que demonstra a ausência ou redução de proteínas ancoradas pelo glicosilfosfatidilinositol (GPI), especificamente CD55 e CD59, em granulócitos e monócitos.
O Eculizumabe é um anticorpo monoclonal que inibe a proteína C5 do complemento, bloqueando a formação do complexo de ataque à membrana. Ele reduz drasticamente a hemólise intravascular, a necessidade de transfusões e, crucialmente, o risco de novos eventos trombóticos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo