Hemoglobinúria Paroxística Noturna: Diagnóstico e Manejo

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021

Enunciado

Um homem de 26 anos de idade comparece ao ambulatório para avaliação de anemia, com queixas de episódios de dor abdominal e astenia há dois anos, e conta que em alguns momentos acha que sua urina está mais escura. O exame físico é inexpressivo, exceto por palidez (++/4+). A avaliação laboratorial mostra hemoglobina = 9,2 g/dL, com normocitose normocromia; leucócitos = 3.500/mm³ plaquetas = 105.000/mm³; haptoglobina indetectável; desidrogenase lática = 1.620 U/L; bilirrubina indireta = 1,8 mg/dL e índice de saturação da transferrina = 696. Nesse caso, qual é o provável diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Anemia hemolítica autoimune.
  2. B) Esferocitose.
  3. C) Favismo.
  4. D) Hemoglobinúria paroxística noturna.

Pérola Clínica

Pancitopenia + Hemólise intravascular + Tromboses atípicas → Pensar em HPN.

Resumo-Chave

A HPN é uma desordem clonal adquirida das células-tronco hematopoiéticas, caracterizada por hemólise intravascular crônica, citopenias e tendência a eventos trombóticos graves.

Contexto Educacional

A HPN é uma doença rara, mas fundamental no diagnóstico diferencial de anemias hemolíticas com Coombs direto negativo. A apresentação clínica é heterogênea, variando de fadiga leve a crises hemolíticas graves desencadeadas por estresse ou infecções. O tratamento evoluiu significativamente com o uso de inibidores do complemento, como o Eculizumabe e o Ravulizumabe, que reduzem drasticamente a hemólise e o risco trombótico.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia básica da HPN?

A HPN ocorre devido a uma mutação adquirida no gene PIGA em células-tronco hematopoiéticas. Isso resulta na deficiência de proteínas ancoradas pelo glicosilfosfatidilinositol (GPI), especificamente o CD55 (DAF) e o CD59 (MIRL). Sem essas proteínas, as hemácias tornam-se vulneráveis à lise mediada pelo sistema complemento, levando à hemólise intravascular crônica e liberação de hemoglobina livre, que consome óxido nítrico, causando distonias musculares, dor abdominal e disfunção erétil.

Como é feito o diagnóstico confirmatório?

O padrão-ouro para o diagnóstico de HPN é a citometria de fluxo de sangue periférico. O exame identifica a ausência ou redução de proteínas ancoradas por GPI (como CD55 e CD59) em pelo menos duas linhagens celulares (hemácias, monócitos ou granulócitos). O teste de Ham e o teste de sacarose são considerados obsoletos devido à baixa sensibilidade e especificidade em comparação com a citometria moderna, que permite quantificar o tamanho do clone HPN.

Quais as principais complicações da HPN?

A principal causa de morte na HPN é a trombose venosa, frequentemente em locais atípicos como veias hepáticas (Síndrome de Budd-Chiari), mesentéricas ou cerebrais. Além disso, a hemólise crônica pode levar à insuficiência renal aguda ou crônica por deposição de hemossiderina nos túbulos renais. A evolução para falência medular (anemia aplásica) ou transformação para leucemia mieloide aguda também são riscos inerentes à biologia clonal da doença.

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