HbA1c: Fatores que Falseiam o Resultado no DM2

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020

Enunciado

O Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2)é uma doença crônica complexa, que tem na hiperglicemia sua característica central, mas que necessita de uma abordagem multifatorial e comportamental. Sobre essa patologia, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Critérios para diagnóstico pelo Guideline 2018 ADA são: glicemia plasmática > 140 após pelo menos 8 horas de jejum ou Hb glicada > 7,0% usando método padronizado e certificado.
  2. B) Segundo a sociedade brasileira de diabetes, as metas para controle glicêmico são Hb glicada < 6,0, glicemia de jejum menor que 90, glicemia pós prandial < 140.
  3. C) A cura do diabetes está sempre em destaque nas redes sociais com dietas, suplementos alimentares, jejum intermitente, raízes medicinais, sendo a dieta do mediterrâneo que mais produziu beneficio para o controle glicêmico e a cura do diabetes.
  4. D) Após o surgimento de novas drogas para o tratamento do diabetes tipo II, como inibidores da DPP-4; inibidores da SGLT2; análogos de GLP-I, a metformina se tornou uma droga de segunda linha para o tratamento inicial do DM2.
  5. E) Condições que podem falsear a elevação ou a redução da Hb glicada: anemias carenciais, esple- nectomia, álcool, transfusão recente, altas doses de vitamina C, perdas sanguíneas agudas, hemo- globinopatias.

Pérola Clínica

HbA1c pode ser falseada por condições que alteram a vida útil das hemácias ou a glicação: anemias, esplenectomia, transfusão, hemoglobinopatias.

Resumo-Chave

A hemoglobina glicada (HbA1c) reflete a média da glicemia nos últimos 2-3 meses, mas sua acurácia depende da vida útil das hemácias. Condições que encurtam ou prolongam essa vida, ou que interferem na glicação, podem levar a resultados falsamente elevados ou reduzidos.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) é uma doença metabólica crônica caracterizada por hiperglicemia resultante de defeitos na secreção de insulina, na ação da insulina ou em ambos. O diagnóstico é feito por critérios como glicemia de jejum, teste oral de tolerância à glicose ou hemoglobina glicada (HbA1c). A HbA1c é um marcador importante, pois reflete a média da glicemia nos últimos 2 a 3 meses, sendo amplamente utilizada para diagnóstico e monitoramento. No entanto, a interpretação da HbA1c exige cautela, pois diversos fatores podem falsear seus resultados. Condições que alteram a vida útil das hemácias, como anemias (carenciais ou hemolíticas), esplenectomia, transfusões sanguíneas recentes e perdas sanguíneas agudas, podem levar a valores falsamente baixos ou altos. Hemoglobinopatias, como traço falciforme, também podem interferir na medição, dependendo do método laboratorial utilizado. Para o residente, é fundamental reconhecer essas situações para evitar erros diagnósticos e terapêuticos. Em casos de suspeita de falseamento da HbA1c, deve-se complementar a avaliação com outros exames glicêmicos. O manejo do DM2 é multifatorial, incluindo mudanças no estilo de vida e farmacoterapia, com a metformina sendo a primeira linha na maioria dos casos, e novas classes de medicamentos como inibidores da SGLT2 e análogos de GLP-1 desempenhando papéis crescentes.

Perguntas Frequentes

Quais condições podem levar a uma HbA1c falsamente reduzida?

Condições que encurtam a vida útil das hemácias, como anemias hemolíticas, sangramentos agudos, esplenectomia, transfusões recentes e uso de altas doses de vitamina C, podem levar a uma HbA1c falsamente reduzida.

Quais condições podem levar a uma HbA1c falsamente elevada?

Condições que prolongam a vida útil das hemácias, como anemias ferroprivas ou megaloblásticas (antes do tratamento), ou que aumentam a glicação, podem elevar falsamente a HbA1c. Hemoglobinopatias também podem interferir na medição dependendo do método.

Por que é importante conhecer os fatores que falseiam a HbA1c no diagnóstico de DM2?

É crucial para evitar diagnósticos errôneos ou subestimar/superestimar o controle glicêmico. Em pacientes com essas condições, outros métodos diagnósticos como glicemia de jejum ou teste oral de tolerância à glicose podem ser mais confiáveis.

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