HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2021
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a hiperglicemia é o terceiro fator mais importante de mortalidade precoce no mundo. Conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2019 e 2020, julgue o item.As anemias hemolíticas reduzem a dosagem de hemoglobina glicada sérica.
Anemia hemolítica → ↓ vida média da hemácia → ↓ HbA1c (falso-negativo).
A HbA1c depende do tempo de exposição da hemácia à glicose; condições que aceleram o turnover eritrocitário subestimam o controle glicêmico real.
A hemoglobina glicada é o padrão-ouro para o acompanhamento do diabetes, mas sua acurácia depende da estabilidade da massa eritrocitária. Em pacientes com anemia hemolítica, a lise celular constante impede que a glicação atinja o equilíbrio esperado para a glicemia média. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) enfatizam que, nesses casos, o diagnóstico e o manejo devem ser baseados na glicemia de jejum ou em marcadores alternativos como a frutosamina. O conhecimento dessas limitações é crucial para evitar o subtratamento de pacientes diabéticos com comorbidades hematológicas.
A hemoglobina glicada (HbA1c) reflete a média da glicemia nos últimos 90 a 120 dias, baseando-se no tempo de vida médio das hemácias. Na anemia hemolítica, ocorre uma destruição precoce dos eritrócitos, resultando em uma população celular mais jovem que teve menos tempo de exposição à glicose circulante. Consequentemente, a taxa de glicação não enzimática é menor, gerando resultados falsamente baixos que não refletem o real estado glicêmico do paciente, podendo mascarar um diagnóstico de diabetes ou um controle inadequado.
Além das anemias hemolíticas, qualquer condição que altere a sobrevida das hemácias interfere no teste. Hemorragias agudas, transfusões recentes e o uso de eritropoetina reduzem a HbA1c. Por outro lado, a anemia ferropriva e a deficiência de vitamina B12 podem elevar falsamente os níveis de HbA1c devido ao aumento da vida média das hemácias. Hemoglobinopatias (como HbS ou HbC) e insuficiência renal crônica também são fatores limitantes importantes que exigem cautela na interpretação clínica.
Em situações onde o turnover eritrocitário está alterado, a Frutosamina é a alternativa preferencial. Ela mede a glicação das proteínas séricas, principalmente a albumina, refletindo o controle glicêmico das últimas 2 a 3 semanas. Outras opções incluem a monitorização residencial da glicemia capilar (MRPA) ou o monitoramento contínuo de glicose (CGM), que fornecem dados diretos sobre a variabilidade glicêmica sem depender da cinética das hemácias.
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