PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026
Paciente masculino, 71 anos, foi submetido à ressecção transuretral de próstata e, após a cirurgia, apresentou hematúria macroscópica persistente, sem melhora com irrigação vesical contínua. Previamente hígido e sem antecedentes hemorrágicos, ele apresentava exames pré-operatórios (feitos 10 dias antes do procedimento) dentro da normalidade. No 3º dia pós-operatório, apresentava hemograma com anemia (Hb 7,4g/dL); Leucócitos 8.850/mm³com contagem diferencial normal; Plaquetas 159.000/mm³. Coagulograma: TAP/INR e TT normais e TTPa alargado (92 - 107 seg) com teste da mistura a 50% sem correção do TTPa. Dosagem de anticoagulante lúpico negativo. Dosagem de FVIII por método cromogênico e coagulométrico = 3,4%. A quantificação de inibidor de FVIII mostrou altos títulos (486 UB). Com relação a essa situação clínica, qual das alternativas melhor se adequa ao diagnóstico?
TTPa alargado isolado + Teste da mistura sem correção → Pesquisar inibidor (ex: Hemofilia Adquirida).
A Hemofilia A adquirida é uma condição rara causada por autoanticorpos contra o Fator VIII, manifestando-se com sangramentos graves em idosos e TTPa prolongado que não corrige com plasma normal.
A Hemofilia A Adquirida (HAA) é uma emergência hematológica subdiagnosticada. Clinicamente, manifesta-se por sangramentos cutâneo-mucosos extensos (equimoses, hematomas) e hemorragias pós-operatórias graves em pacientes sem histórico hemorrágico prévio. O achado laboratorial clássico é o prolongamento isolado do Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPa), com Tempo de Protrombina (TP) e contagem de plaquetas normais. A fisiopatologia envolve a perda de autotolerância imunológica, resultando na produção de autoanticorpos (geralmente IgG) que neutralizam a atividade pró-coagulante do Fator VIII. O diagnóstico definitivo requer a demonstração de baixa atividade de FVIII e a quantificação do inibidor através do ensaio de Bethesda. O reconhecimento precoce é vital, pois a mortalidade é elevada se não tratada adequadamente com agentes de bypass e imunossupressão.
O teste da mistura consiste em misturar o plasma do paciente com plasma normal (proporção 1:1). Se o TTPa prolongado for por deficiência de fator, ele corrige. Se houver um inibidor (como anticorpos anti-Fator VIII), o TTPa permanece alargado ou prolonga-se ainda mais após incubação, pois o inibidor neutraliza o fator presente no plasma normal.
Diferente da hemofilia hereditária (ligada ao X), a forma adquirida afeta homens e mulheres igualmente. Apresenta uma distribuição bimodal: um pequeno pico em mulheres jovens (pós-parto) e um pico principal em idosos (em torno dos 70-80 anos). Em cerca de 50% dos casos é idiopática, mas pode estar associada a câncer, doenças autoimunes ou gestação.
O tratamento foca em duas frentes: controle do sangramento agudo e erradicação do inibidor. Para o sangramento, utilizam-se agentes de 'bypass' como o Complexo Protrombínico Parcialmente Ativado (aPCC) ou Fator VIIa recombinante, já que a reposição de Fator VIII é ineficaz devido ao inibidor. A erradicação do inibidor é feita com imunossupressão (corticoides, ciclofosfamida ou rituximabe).
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