Pós-Operatório de Gastrectomia: Interpretação Laboratorial

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 58 anos, submetida à gastrectomia total por adenocarcinoma de fundo gástrico. No pós-operatório imediato, foi encaminhada para a UTI e coletados os seguintes exames laboratoriais: Leucograma 10400, Hb 9,7, Ht 32%, pH 7,21, pCO² 27, HCO³ 14, LAC 2,4. No primeiro dia de pós-operatório, encontrava-se consciente, orientada, eupneica, corada, sem dor abdominal, diurese 1,1ml/kg/h, balanço hídrico +1700ml e com os seguintes exames laboratoriais: Leucograma 16500 Hb 7,8 HT 23,4% pH 7,37 pCO² 31 HCO³ 21 LAC 1,1. Assinale a alternativa CORRETA sobre a paciente em questão.

Alternativas

  1. A) A queda de hematócrito e hemoglobina sem repercussão clínica pode ser explicada pelo balanço hídrico positivo e redistribuição sanguínea. Não significa hemorragia ativa
  2. B) Como o bicarbonato era abaixo de 15 no pós-operatório imediato, havia indicação de reposição.
  3. C) O leucograma aumentado no primeiro dia de pós-operatório significa um processo infeccioso incipiente.
  4. D) Uma vez que o paciente apresenta acidose respiratória no pós-operatório imediato, é necessário instituir ventilação não invasiva.
  5. E) O clearance do lactato é de extrema importância para o manejo pós-operatório adequado, devendo ser alcançado nas primeiras 12h, sobretudo em cirurgias hepáticas.

Pérola Clínica

Queda de Hb/Ht no pós-op imediato com balanço hídrico positivo e sem instabilidade → Hemodiluição, não hemorragia ativa.

Resumo-Chave

A queda de hemoglobina e hematócrito no pós-operatório imediato, especialmente com balanço hídrico positivo e sem sinais de instabilidade hemodinâmica, é frequentemente explicada por hemodiluição e redistribuição de fluidos, e não necessariamente por hemorragia ativa, o que é um achado comum e esperado.

Contexto Educacional

O pós-operatório de grandes cirurgias, como a gastrectomia total, envolve uma complexa resposta fisiológica ao estresse cirúrgico. A interpretação adequada dos exames laboratoriais é fundamental para o manejo. A hemodiluição é um fenômeno comum devido à administração de fluidos intravenosos e à redistribuição de volumes, resultando em queda da hemoglobina e do hematócrito sem necessariamente indicar sangramento ativo. Distúrbios ácido-base também são frequentes. A acidose metabólica com ânion gap normal pode ser vista devido à perda de bicarbonato ou administração de fluidos. A leucocitose é uma resposta inflamatória normal ao trauma cirúrgico e, isoladamente, não significa infecção. É crucial correlacionar os achados laboratoriais com o estado clínico do paciente. O manejo pós-operatório exige monitorização contínua, otimização hemodinâmica e hidroeletrolítica. A avaliação seriada de lactato e gasometria auxilia na detecção precoce de hipoperfusão ou disfunção orgânica. Residentes devem dominar a interpretação desses parâmetros para evitar intervenções desnecessárias ou atrasos no tratamento de complicações reais.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar hemodiluição de hemorragia ativa no pós-operatório?

A hemodiluição é caracterizada por queda de Hb/Ht com balanço hídrico positivo e estabilidade hemodinâmica. Hemorragia ativa, por outro lado, geralmente cursa com instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão), sinais de choque e, por vezes, drenagens sanguinolentas excessivas.

Qual a relevância do lactato no pós-operatório?

O lactato é um marcador de hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbico. Níveis elevados no pós-operatório podem indicar choque, sepse ou hipóxia. O clearance do lactato é um indicador de resposta à ressuscitação, mas seu valor isolado deve ser interpretado no contexto clínico.

É normal ter leucocitose no primeiro dia de pós-operatório?

Sim, a leucocitose é um achado comum e esperado no pós-operatório imediato devido à resposta inflamatória sistêmica à cirurgia. Níveis elevados, mas sem outros sinais de infecção (febre, dor localizada, piora clínica), geralmente não indicam um processo infeccioso incipiente.

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