UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
São indicações de hemodiálise de forma emergencial exceto:
Indicações de diálise (AEIOU) → Acidose, Eletrólitos, Intoxicação, Overload, Uremia (sintomática).
Valores isolados de ureia (como >200 mg/dL) sem sintomas urêmicos graves (pericardite, encefalopatia) não constituem indicação absoluta de emergência.
A terapia de substituição renal (TSR) de emergência é uma intervenção crítica na Unidade de Terapia Intensiva e no Pronto-Socorro. O reconhecimento precoce das indicações 'AEIOU' salva vidas, especialmente em casos de hipercalemia com instabilidade elétrica miocárdica e edema agudo de pulmão por sobrecarga hídrica em pacientes anúricos. A fisiopatologia da uremia envolve o acúmulo de diversas toxinas nitrogenadas, sendo a ureia apenas o marcador mais comum. No entanto, a toxicidade direta da ureia é baixa; os sintomas graves advêm de outras moléculas e do desequilíbrio osmótico. Por isso, as diretrizes modernas focam na clínica do paciente (encefalopatia, atrito pericárdico) em vez de um ponto de corte laboratorial rígido para a ureia, embora valores muito altos (frequentemente citados entre 150-200 mg/dL) alertem para a proximidade de complicações.
As indicações são resumidas pelo mnemônico AEIOU: 1. Acidose metabólica grave (pH < 7.1-7.2) refratária ao tratamento clínico; 2. Eletrólitos: Hipercalemia grave (> 6.5 mEq/L) ou com alterações eletrocardiográficas, refratária a medidas farmacológicas; 3. Intoxicações por substâncias dialisáveis (ex: lítio, metanol, etilenoglicol, salicilatos); 4. Overload: Hipervolemia/Edema agudo de pulmão refratário a diuréticos; 5. Uremia sintomática: Pericardite, encefalopatia ou sangramentos urêmicos.
Embora níveis muito elevados de ureia indiquem disfunção renal grave, a decisão de iniciar diálise de emergência deve ser baseada na presença de complicações clínicas (uremia sintomática). Um paciente com ureia de 210 mg/dL, mas sem sinais de encefalopatia, pericardite ou distúrbios hidroeletrolíticos graves, pode muitas vezes ser manejado clinicamente ou ter a diálise programada de forma não emergencial, ao contrário de uma hipercalemia com risco de arritmia fatal.
A acidose metabólica torna-se uma indicação de diálise quando é grave (geralmente pH < 7.1) e não responde às medidas de suporte, como a reposição de bicarbonato de sódio ou o tratamento da causa base. Em pacientes com insuficiência renal oligúrica, a reposição de bicarbonato pode agravar a sobrecarga volêmica, tornando a diálise a única via segura para correção do pH.
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