CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2020
Sobre os defeitos campimétricos relacionados à lesão da via visual, é correto afirmar:
Quanto mais posterior a lesão na via visual (occipital) → Mais congruente (simétrico) é o defeito de campo.
Hemianopsias homônimas incompletas são classificadas pela sua congruência; lesões próximas ao córtex occipital geram defeitos idênticos em ambos os olhos.
A análise do campo visual é uma ferramenta poderosa para a neuro-oftalmologia. A regra de ouro é: lesões pré-quiasmáticas causam defeitos monoculares; lesões quiasmáticas causam defeitos heterônimos (bitemporais); e lesões retroquiasmáticas causam defeitos homônimos (mesmo lado do campo em ambos os olhos). Entender a subdivisão das hemianopsias homônimas em congruentes e incongruentes permite ao clínico diferenciar uma lesão no trato óptico (incongruente) de uma lesão no lobo occipital (muito congruente). Este conhecimento é frequentemente testado em exames de residência para avaliar a capacidade de localização neuroanatômica do candidato.
Uma hemianopsia homônima é considerada congruente quando o defeito de campo visual é idêntico ou muito semelhante em forma, tamanho e densidade em ambos os olhos. A congruência é um sinal de localização: quanto mais posterior for a lesão na via visual retroquiasmática (em direção ao córtex occipital), mais congruente será o defeito. Isso ocorre porque as fibras nervosas correspondentes de cada olho tornam-se mais intimamente associadas à medida que progridem do trato óptico para as radiações ópticas e, finalmente, para o córtex visual primário.
Lesões no trato óptico costumam causar hemianopsias homônimas marcadamente incongruentes e podem estar associadas a um defeito pupilar aferente relativo (DPAR) no olho contralateral à lesão. Já as lesões nas radiações ópticas (lobo temporal ou parietal) causam defeitos mais congruentes. Lesões no lobo temporal (alça de Meyer) causam quadrantopsia superior ('pie in the sky'), enquanto lesões no lobo parietal causam quadrantopsia inferior ('pie on the floor').
Defeitos bitemporais (hemianopsia bitemporal) são o sinal clássico de uma lesão no quiasma óptico, onde as fibras nasais de cada retina (responsáveis pelo campo visual temporal) se cruzam. A causa mais comum é a compressão por tumores da hipófise (adenomas). Se o defeito for bitemporal, a lesão é obrigatoriamente quiasmática, e não retroquiasmática. Defeitos nasais isolados são raros e geralmente associados a patologias oculares locais ou compressões laterais do quiasma (ex: aneurisma de carótida).
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