UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Homem, 57a, procura Unidade Básica de Saúde referindo sangue na urina há 3 semanas. Nega dor abdominal, disúria ou urgência miccional. Antecedentes Pessoais: diabetes mellitus, tabagismo 40 maços/ano, trabalha há 30 anos em fábrica de tinta. Exame físico: PA= 119x76mmHg, FC= 89bpm, FR= 18irpm. Abdome: plano, normotenso, descompressão brusca dolorosa negativa, ausência de massas palpáveis, Sinais de Murphy e Giordano ausentes. Exame sumário de urina: Hemácias= 1.000.000/ml, leucócitos= 10/ml; nitrito= negativo. A CONDUTA É SOLICITAR:
Hematúria macroscópica indolor, especialmente em tabagista com exposição ocupacional → alta suspeita de câncer de bexiga.
A hematúria macroscópica indolor, principalmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo e exposição ocupacional a aminas aromáticas (fábrica de tintas), é um sinal de alerta para neoplasias uroteliais, sendo o câncer de bexiga a principal preocupação. A investigação inicial deve focar na visualização do trato urinário.
A hematúria, especialmente a macroscópica e indolor, é um sintoma urológico que exige investigação rigorosa devido à sua associação com condições graves, como neoplasias do trato urinário. A epidemiologia mostra que o câncer de bexiga é mais comum em homens idosos e está fortemente ligado a fatores de risco modificáveis, como o tabagismo, e a exposições ocupacionais específicas. A importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce para melhorar o prognóstico. A fisiopatologia da hematúria indolor em casos de câncer de bexiga envolve o sangramento de tumores na mucosa vesical. O diagnóstico diferencial é amplo, mas a presença de fatores de risco como tabagismo e exposição a carcinógenos (fábrica de tintas) eleva a suspeita de carcinoma urotelial. A ausência de sintomas irritativos ou dor sugere uma causa não inflamatória ou obstrutiva. A investigação deve incluir exames de imagem para avaliar o trato urinário superior e inferior, sendo a ultrassonografia de bexiga uma ferramenta inicial útil para detectar massas vesicais. A conduta para hematúria macroscópica indolor sempre envolve a investigação completa. Após a ultrassonografia, a cistoscopia é frequentemente indicada para visualização direta da bexiga e biópsia de lesões suspeitas. O prognóstico do câncer de bexiga depende do estágio ao diagnóstico, reforçando a importância da investigação imediata e adequada.
Os principais fatores de risco incluem tabagismo (o mais importante), exposição ocupacional a aminas aromáticas (indústria de tintas, borracha, couro), idade avançada, histórico de radioterapia pélvica e uso crônico de ciclofosfamida.
A hematúria macroscópica indolor é um sinal clássico e preocupante de neoplasias uroteliais, como o câncer de bexiga. A ausência de dor sugere que não há obstrução ou inflamação aguda, direcionando a investigação para causas mais graves.
A investigação geralmente começa com exames de imagem do trato urinário (ultrassonografia, tomografia computadorizada) e cistoscopia para visualização direta da bexiga. A ultrassonografia de bexiga é um bom exame inicial para avaliar a parede vesical e a presença de massas.
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