UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024
Homem de 54 anos refere dois episódios autolimitados de hematúria macroscópica indolor, no último mês. Nega febre e outros sintomas miccionais. AP: HAS e tabagista. Ao exame físico: corado, PA 160 x 90 mmHg, FC 76 bpm. Ao exame digital retal da próstata: glândula de 30 g, simétrica, fibroelástica, indolor e sem nodulações. Assinale a alternativa correta.
Hematúria macroscópica indolor, especialmente em tabagista, exige investigação completa para neoplasia urotelial.
Hematúria macroscópica, mesmo que autolimitada e indolor, é um sinal de alerta para malignidade urológica, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo. A investigação deve ser abrangente, incluindo exames de imagem avançados e endoscopia, para descartar neoplasias do trato urinário.
A hematúria macroscópica, definida pela presença de sangue visível na urina, é um sintoma que sempre exige investigação, independentemente de ser autolimitada ou indolor. Em homens acima de 50 anos, e particularmente em tabagistas, a principal preocupação é o câncer urotelial (de bexiga, ureter ou pelve renal), que pode se manifestar inicialmente apenas com hematúria. Outras causas incluem litíase urinária, infecções, hiperplasia prostática benigna (HPB), glomerulopatias e trauma. A fisiopatologia da hematúria varia conforme a causa, mas a presença de sangue visível indica uma lesão significativa em algum ponto do trato urinário. O tabagismo é o fator de risco mais importante para o câncer de bexiga, aumentando a probabilidade de malignidade em casos de hematúria. O diagnóstico diferencial é amplo, mas a abordagem deve priorizar a exclusão de condições graves. A investigação padrão ouro inclui exames laboratoriais (PSA, função renal, urina I, urocultura), exames de imagem (TC de abdome e pelve com contraste, incluindo fase excretora tardia) para avaliar o trato urinário superior e a uretrocistoscopia para visualização direta da bexiga e uretra. O tratamento depende da causa subjacente. Em casos de câncer urotelial, a ressecção endoscópica, quimioterapia intravesical ou sistêmica, ou cistectomia podem ser indicadas. Para outras causas, como litíase, o tratamento pode ser conservador ou intervencionista. O prognóstico do câncer urotelial é melhor quando diagnosticado e tratado precocemente, ressaltando a importância de uma investigação completa e sem demora para qualquer episódio de hematúria macroscópica, especialmente em pacientes de risco.
Os principais fatores de risco para câncer urotelial incluem tabagismo (o mais importante), exposição ocupacional a aminas aromáticas, idade avançada, histórico de radioterapia pélvica e uso crônico de ciclofosfamida.
A TC com contraste (incluindo fase excretora) permite avaliar o trato urinário superior (rins e ureteres) e a uretrocistoscopia visualiza diretamente a bexiga e uretra, sendo fundamentais para identificar tumores, cálculos ou outras lesões.
A hematúria macroscópica indolor, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo, é altamente suspeita de malignidade. A presença de coágulos e a ausência de sintomas irritativos ou infecciosos também aumentam a suspeita.
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