USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Menino do 9 anos de idade, apresenta queixa de urina avermelhada hà cerca de dois meses, uma a duas vezes por semana, sendo encaminhado para investigação. O exame de urina rotina mostrou hemácias na sedimontoscopia. A pesquisa do dismorfismo eritrocitário evidenciou hemácias dismórficas (90%) com 20% de acantócitos. Qual dos seguintes achados urinários, se presente, poderia corroborar o dlagnóstico mais provával?
Hemácias dismórficas + acantócitos → hematúria glomerular. Proteinúria corrobora glomerulonefrite.
A presença de hemácias dismórficas, especialmente acantócitos, na urina é um forte indicativo de origem glomerular da hematúria. Nesses casos, a proteinúria é um achado comum e corrobora o diagnóstico de uma doença glomerular, como a glomerulonefrite, devido ao dano na barreira de filtração glomerular que permite a passagem de proteínas e hemácias.
A investigação da hematúria, especialmente em crianças, exige uma abordagem sistemática para determinar sua origem e causa. A distinção entre hematúria glomerular e não glomerular é um passo crítico, com implicações diagnósticas e prognósticas significativas. A análise da morfologia eritrocitária na urina, com a pesquisa de dismorfismo e, em particular, de acantócitos, é a ferramenta mais eficaz para essa diferenciação. Hemácias dismórficas, que sofreram alterações morfológicas ao passar por glomérulos danificados, e os acantócitos, que são um tipo específico de hemácia dismórfica com projeções citoplasmáticas, são marcadores altamente sensíveis e específicos de hematúria de origem glomerular. Quando esses achados estão presentes, a suspeita de uma doença glomerular, como a glomerulonefrite, é elevada. Nesse contexto, a presença de proteinúria é um achado adicional que corrobora fortemente o diagnóstico de glomerulonefrite. O dano glomerular que permite a passagem de hemácias também compromete a seletividade da barreira de filtração, resultando na perda de proteínas para a urina. A avaliação conjunta desses achados urinários é essencial para o residente em nefrologia e pediatria para guiar a investigação diagnóstica e o manejo terapêutico adequado, que pode incluir biópsia renal e tratamento imunossupressor.
A presença de hemácias dismórficas, que são eritrócitos com morfologia alterada, e especialmente de acantócitos (hemácias em forma de anel com projeções), indica que a hematúria tem origem glomerular, ou seja, o sangramento ocorre nos glomérulos renais.
A proteinúria corrobora o diagnóstico de glomerulonefrite porque a inflamação e o dano glomerular que causam a hematúria dismórfica também comprometem a barreira de filtração, permitindo a passagem de proteínas para a urina. É um sinal de lesão glomerular significativa.
As principais causas de hematúria glomerular em crianças incluem glomerulonefrite pós-estreptocócica, nefropatia por IgA (doença de Berger), síndrome de Alport, glomerulonefrite membranoproliferativa e outras formas de glomerulonefrite primária ou secundária.
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