Hematoquezia em Idosos: Diagnóstico e Próximo Passo

HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um homem de 65 anos chega ao pronto socorro com um episódio de hematoquezia. Ele relata passagem de sangue vermelho-brilhante sem coágulos e nega dor abdominal, vômito ou alterações nas fezes. O paciente tem antecedente de hemorroidas e diverticulose. Os sinais vitais são estáveis e o exame físico, incluindo o exame de toque retal, é inespecífico. Sigmoidoscopia não revela fonte ativa de sangramento. Assinale o próximo passo mais apropriado na avaliação deste paciente.

Alternativas

  1. A) Iniciar terapia com vasopressina via IV imediatamente.
  2. B) Realizar uma colonoscopia após preparo intestinal adequado.
  3. C) Solicitar uma angiografia mesentérica urgente.
  4. D) Indicar cirurgia exploratória sem mais investigações diagnósticas.
  5. E) Administrar uma transfusão de sangue, apesar dos sinais vitais estáveis.

Pérola Clínica

Hematoquezia em paciente estável com sigmoidoscopia negativa → colonoscopia com preparo para investigar cólon proximal.

Resumo-Chave

Em pacientes com hematoquezia e estabilidade hemodinâmica, após exclusão de causas anorretais e sigmoidoscopia negativa, a colonoscopia com preparo adequado é o exame de escolha. Ela permite a visualização de todo o cólon e a identificação de lesões como divertículos, angiodisplasias ou pólipos, que são causas comuns de sangramento digestivo baixo.

Contexto Educacional

A hematoquezia, definida como a passagem de sangue vermelho-brilhante pelo reto, é um sintoma comum que pode indicar sangramento do trato gastrointestinal inferior. Em pacientes idosos, a etiologia mais frequente inclui diverticulose, angiodisplasias e neoplasias colorretais. A avaliação inicial deve focar na estabilidade hemodinâmica do paciente e na exclusão de causas anorretais óbvias. Quando um paciente apresenta hematoquezia, mas está hemodinamicamente estável e o exame físico, incluindo o toque retal, é inespecífico, a investigação prossegue. A sigmoidoscopia flexível pode ser realizada para avaliar o cólon distal, mas se não revelar a fonte do sangramento, é crucial considerar que a origem pode ser mais proximal. Nesses casos, a colonoscopia total, após preparo intestinal adequado, torna-se o método diagnóstico de escolha. Ela permite a visualização direta de todo o cólon, a identificação da lesão sangrante e, muitas vezes, a realização de intervenções terapêuticas (como hemostasia endoscópica). Métodos mais invasivos, como a angiografia ou cirurgia, são geralmente reservados para pacientes com sangramento maciço, instabilidade hemodinâmica ou falha da colonoscopia em controlar ou identificar a fonte.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de hematoquezia em pacientes idosos?

A diverticulose é a causa mais comum de sangramento digestivo baixo em idosos, seguida por angiodisplasias e neoplasias. Hemorroidas e fissuras anais são causas frequentes, mas geralmente são diagnosticadas no exame físico ou sigmoidoscopia.

Quando a colonoscopia é indicada na investigação de hematoquezia?

A colonoscopia é indicada como o próximo passo diagnóstico em pacientes com hematoquezia que estão hemodinamicamente estáveis e cuja sigmoidoscopia não revelou a fonte do sangramento, permitindo a avaliação do cólon proximal.

Quais são os sinais de alerta que indicam a necessidade de uma investigação mais urgente ou agressiva?

Sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, choque), sangramento volumoso e contínuo, ou falha na identificação da fonte por colonoscopia podem indicar a necessidade de angiografia mesentérica ou, em casos extremos, cirurgia exploratória.

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